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Novidade

Eu no Espelho - Dia Nacional do Escritor

Não deixei o Dia Nacional do Escritor passar em branco... Talvez apenas o tenha deixado passar em preto e branco. Afinal, a folha de photobooth que acompanha esta publicação não é um exercício de vaidade, tampouco uma tentativa de provar que um escritor pode fazer dezesseis caretas diferentes diante de uma câmera. É, antes de tudo, uma pequena confissão. Ontem, 25 de julho, celebramos o Dia Nacional do Escritor . Hoje, resolvi comemorar a data mostrando um pouco daquilo que raramente aparece nas fotografias de divulgação de um livro: a estranha multidão que habita um único autor. Durante muito tempo me perguntaram por que assino obras com nomes diferentes. Alguns imaginam estratégia de mercado; outros, mero capricho estético. A verdade é menos simples e muito mais divertida. Vital Sousa é quem organiza o pensamento, estrutura projetos, pesquisa, estuda e procura dar coerência às ideias. Tonny Aguiar prefere a narrativa, as crônicas, o romance, os personagens que caminham entre o abs...

Ventos do Catimbau - Andreza Kamylla


Inaugurando a Série, Categoria e Projeto homônimos - Ventos do Catimbau - a Homenagem à Poetisa Andreza Kamylla, que integra o Livro Ventos do Catimbau: o Ser'tão Forte, de Tonny Aguiar e Biu Di Braga, que será a base do Material didático para as Palestras e Oficinas do Projeto homônimo que visa identificar e qualificar as novas safras de escritores do Sertão.

Os Homenageados no Livro e no Projeto são seis mulheres e um homem que, acima do gênero são pessoas, e com suas condutas e trajetórias merecem o "Reconhecimento". Não, apenas, pela luta de uma vida, mas pela luta de um Povo: é "Reconhecimento" pela luta de Todos; pelos Direitos de Todos ao Respeito e à Existência Pacífica, porque somos todos iguais, mesmo "diferentes"; porque temos uma ancestralidade única como "Seres Humanos"! O "Reconhecimento" é para "quem levanta a voz" em nome de Todos!

Acredite no que você acreditar, eu acredito na Energia, na Força da Natureza, da qual faço parte, mesmo sem, ainda, entender, completamente, o meu papel no contexto do “Útero Cósmico” do Planeta e com a consciência de que a Terra não é o lugar onde vivo, mas um organismo do qual faço parte, mas isso é outra história que pretendo contar enquanto estiver aqui.

Tonny Aguiar
CoAutor


E eu pensando no fim
Dessa bela tradição;
Tenho, agora, pra mim
Que devo pedir perdão;
Vendo jovem tão bela,
Com sua rima singela
Estender o seu cordão.

Parabéns pelos versos
E minha admiração;
Por mostrar no inverso
Meu pensar na contramão.
Já ganhou com seu cordel
Um admirador fiel,
Lhe digo de coração.

Escrevi esses versos após conhecer Andreza Kamylla, pela tela do celular, apresentada por uma amiga em comum, numa conversa sobre escritores, livros, poetas e cantadores. Não me fiz de rogado e enviei o poema para ela, numa mensagem que deu início a nossa amizade.

Lá de Arcoverde, no coração do nosso arretado País Pernambuco, nasceu essa moça de nome bonito e talento danado: Andreza Kamylla Farias da Silva. Mas quem conhece de perto, chama só de Andreza Kamylla, e quem conhece com o coração, chama de Encantadora de Versos — nome que eu mesmo a rebatizei, porque poesia que é poesia, merece batismo novo.

Começou cedo a mexer com as palavras, com uns dezesseis anos só, ainda no tempo do ensino médio. Foi ali, com o empurrãozinho bonito da professora Dalva — uma dessas mestras que plantam saber no miolo da gente — que a poesia criou raiz no peito da menina.

E de lá pra cá, pensa numa andança! Já fez verso ecoar dentro e fora de Arcoverde, subindo e descendo palco como quem colhe estrela. Até no Amazonas já se escutou a voz dela — e que voz! Leve como asa de borboleta e forte como cantiga de beato. Hoje, Andreza bota seu saber a serviço do povo, trabalhando com meninas e meninos no setor público, ensinando com paciência e carinho de mãe.

É formada em Letras, pós-graduada em Literatura, e já deixou espalhado pelo mundo um mói de livretos de cordel, desses que a gente lê e fica com vontade de mais. E já tá no forno o original do seu primeiro livro, que vem chegando com cheiro de papel novo e alma velha de tradição.

No Lançamento do meu livro Lindomar – O Menino que Virou Mar, em parceria com o compadre Tonny Aguiar, tive a honra de vê-la declamando os meus versos – um trecho especial do livro – quando a rebatizei de Encantadora de Versos.

Ela é um dos retratos mais bonitos que o Projeto Ventos do Catimbau quer soprar pelo mundo: descobrir e dar asas a essas novas safras de escritores do Sertão, da Caatinga, do nosso chão rachado de sol, mas fértil de poesia e de riquezas sustentáveis.

O jeitinho dela de declamar não é grito, é sussurro; não é fogo, é brisa. É como flor que se abre no terreiro da vida, espalhando perfume de jasmim nos corações de quem escuta. Ela não fala — ela toca com palavras. E, com todo respeito à modéstia, eu podia escrever um mundo de páginas pra falar dessa cabocla iluminada... Mas deixo que os versos dela façam esse papel. Como diz em Essência e Grandezas, que logo abaixo eu deixo aqui pra quem quiser sentir na pele o que é poesia de verdade.

O meu nome é Andreza,
Latino Americana,
Que nasceu lá no Nordeste...
Também sou pernambucana!
E aqui é o meu lugar!
De gente boa e bacana!

Eu acredito na mudança!
E esmoreço jamais!
Apesar de tanto caos...
Eu acredito na paz!
Porque amar e mudar as coisas,
Me interessa mais!

É claro que já chorei,
Mas da tristeza, eu corro!
Quando ela me aperta,
Na arte peço socorro!
Ano passado eu morri,
Mas esse ano eu não morro.

Tenho 25 anos!
De lutas. E também leveza!
Tenho 25 anos!
De Belchior e certezas...
Tenho 25 anos!
De essência e de grandeza!

Para concluir, pois nesse tom a estrada é longa, digo em versos ou em prosa, tudo que ela tem de melhor: nas mãos o perfume das rosas, nos versos seu amor maior. Mas não sou de fugir da peleja, se é tudo que quero e a alma deseja, digo no tom de Belchior:

Para seus versos transpassar
Na minha consciência
As coisas que quero lembrar
Da minha Existência
Do meu agreste ao Sertão
Onde está meu coração
E a nossa confluência.

E digo, no meu jeito mesmo, sem enfeite nem arrodeio, deixando que a alma fale mais alto nessa homenagem. Porque pensar é bonito, fazer é importante, mas ser de verdade... Ah, isso é que vale! Só quem é o que diz, e oferece o que vive, consegue botar sentimento em palavra e transformar gesto em poesia que fica, que brota, que faz morada no peito da gente.

Há encontros na vida
Que justificam viver;
Ao peito dão guarida,
Faz você compreender:
Que nessa vida torta,
Sentir o que importa
Faz a alma florescer!

Minha alma floresceu
Por sentir na tua voz,
Quando meu poema leu,
Um encanto tão veloz,
Que o céu resplandeceu
Provando que não é meu:
Quem assina somos nós.

- Biu Di Braga & Andreza Kamylla

E concluo dizendo que Andreza Kamylla, além do retrato perfeito do Projeto Ventos do Catimbau, é a poesia que brota do Sertão, onde o verbo é raiz e o coração é flor. Sua palavra é canto que toca a alma e, na leveza do seu verso, encontramos o que realmente importa: a essência de ser, de sentir e de viver a poesia.


Biu Di Braga
CoAutor


Imagens: Acervo Particular dos Homenageados

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