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Novidade

O Ponto dos Contos: Crônicas Improváveis

Sinopse O Ponto dos Contos – Crônicas Improváveis reúne histórias bem-humoradas, irreverentes e surpreendentes que despertam aquilo que existe de mais espontâneo nas pessoas: o riso. Em tempos marcados pelo excesso de estresse, ansiedade e excesso de informações, a literatura também pode ser uma ferramenta de bem-estar. Cada página foi escrita para proporcionar momentos leves, divertidos e capazes de arrancar boas gargalhadas. Porque sorrir faz bem. E quando o sorriso aparece, ele merece ser bonito. É justamente nesse ponto que a literatura encontra a odontologia: enquanto o livro desperta o sorriso, os profissionais da saúde bucal cuidam para que ele seja saudável, bonito e duradouro. O Direito de Ser Estranho (Apresentação) Em um mundo obcecado pela produtividade e pela padronização do comportamento, vivemos em uma época particularmente inclinada a transformar diferenças, desconfortos e comportamentos incomuns em explicações rápidas. É o império do diagnóstico instantâneo: aquele qu...

Eu no Espelho - Dia Nacional do Escritor



Não deixei o Dia Nacional do Escritor passar em branco...

Talvez apenas o tenha deixado passar em preto e branco. Afinal, a folha de photobooth que acompanha esta publicação não é um exercício de vaidade, tampouco uma tentativa de provar que um escritor pode fazer dezesseis caretas diferentes diante de uma câmera. É, antes de tudo, uma pequena confissão. Ontem, 25 de julho, celebramos o Dia Nacional do Escritor. Hoje, resolvi comemorar a data mostrando um pouco daquilo que raramente aparece nas fotografias de divulgação de um livro: a estranha multidão que habita um único autor.

Durante muito tempo me perguntaram por que assino obras com nomes diferentes. Alguns imaginam estratégia de mercado; outros, mero capricho estético. A verdade é menos simples e muito mais divertida. Vital Sousa é quem organiza o pensamento, estrutura projetos, pesquisa, estuda e procura dar coerência às ideias. Tonny Aguiar prefere a narrativa, as crônicas, o romance, os personagens que caminham entre o absurdo e o profundamente humano. Biu de Braga insiste em reaparecer quando todos acreditavam que a poesia havia sido definitivamente abandonada, lembrando que certas palavras não aceitam aposentadoria. E Vitor Sales ocupa um território próprio, onde a escrita se aproxima do ensaio, da reflexão e da experimentação intelectual.

São nomes diferentes, vozes diferentes, ritmos diferentes. Não porque um substitua o outro, mas porque cada um alcança lugares que talvez os demais não conseguissem visitar. Se isso parece contraditório, basta lembrar que toda boa literatura nasce justamente da possibilidade de enxergar o mundo por mais de um ângulo ao mesmo tempo.

Curiosamente, essa convivência entre identidades literárias acabou encontrando um espelho inesperado na personagem que mais tempo me acompanhou nos últimos anos: Arista. Ao construir sua trajetória, fui levado a estudar o Transtorno Dissociativo de Identidade não como espetáculo, mas como mecanismo extremo de sobrevivência psíquica. Em Arista, a dissociação não surge como extravagância narrativa; nasce como estratégia de defesa diante do insuportável. A mente cria outros lugares para que o sujeito continue existindo quando a realidade ameaça destruí-lo.

Foi impossível abordar esse universo sem recorrer a três pensadores que, embora separados por campos distintos, dialogam de maneira surpreendente. Bertrand Russell me ofereceu o rigor lógico, a permanente suspeita diante das certezas e a disciplina intelectual de desconfiar até das próprias convicções. Martin Heidegger deslocou a pergunta para o ser, mostrando que existir nunca é um estado acabado, mas um acontecimento permanente, sempre lançado entre o mundo e as possibilidades. E Jacques Lacan lembrou que o sujeito jamais coincide inteiramente consigo mesmo; somos atravessados pela linguagem, constituídos pelo desejo e inevitavelmente divididos. Talvez por isso nenhuma identidade seja completamente estável, nenhuma autobiografia seja definitiva e nenhum personagem pertença exclusivamente ao seu criador.

Não pretendo sugerir que meus pseudônimos sejam expressão clínica de qualquer fenômeno psicológico. Seria um equívoco e uma enorme injustiça com quem efetivamente convive com o TDI. A literatura trabalha com metáforas, não com diagnósticos. Ainda assim, é impossível ignorar que escrever exige uma espécie de deslocamento permanente. O escritor precisa abandonar a própria voz para emprestar voz ao outro. Precisa odiar como um vilão pela manhã, amar como um adolescente à tarde, pensar como uma criança ao anoitecer e morrer como um velho antes de dormir. Nenhum romance é escrito por uma personalidade completamente imóvel.

Talvez seja exatamente isso que aquela sequência de dezesseis fotografias procure revelar. Não são dezesseis rostos diferentes. É o mesmo rosto atravessado por dezesseis possibilidades de existir. O sorriso, a perplexidade, a raiva, o deboche, a tristeza, a ironia e a alegria convivem na mesma pessoa sem pedir autorização umas às outras. O photobooth acaba funcionando como uma metáfora involuntária da própria escrita: cada quadro parece independente, mas todos pertencem à mesma folha.

Essa percepção ganha um significado ainda mais curioso justamente agora, às vésperas do lançamento de O Ponto dos Contos – Crônicas Improváveis. Quem conhece apenas o pesquisador talvez estranhe encontrar um cronista disposto a rir do absurdo cotidiano. Quem conhece apenas o romancista talvez se surpreenda com um humor frequentemente escatológico, politicamente incorreto e deliberadamente desconfortável. Mas talvez essa seja apenas outra face do mesmo exercício literário: explorar as múltiplas possibilidades do humano sem pedir licença ao previsível.

É aqui que volto a Lacan e a uma frase que sempre me provocou: "Quanto mais santos somos, mais rimos." À primeira vista, parece um paradoxo. Costumamos associar a santidade à solenidade, à contenção, ao peso moral. Lacan inverte essa expectativa. O riso aparece não como superficialidade, mas como sinal de quem já não precisa defender o próprio ego a qualquer custo. Quem reconhece a própria falta, quem aceita a própria incompletude, quem percebe que nenhuma identidade consegue dar conta de tudo, encontra no humor uma forma sofisticada de liberdade.

Talvez seja exatamente esse o espírito de O Ponto dos Contos. Não se trata de rir do sofrimento humano, mas de rir da nossa permanente tentativa de parecer inteiros quando, na verdade, somos feitos de remendos, memórias, contradições e personagens. O humor, nesse sentido, deixa de ser fuga e passa a ser conhecimento. Rimos porque compreendemos; compreendemos porque aceitamos que ninguém cabe completamente dentro do próprio nome.

No fim das contas, talvez eu não tenha apenas comemorado o Dia Nacional do Escritor. Talvez tenha celebrado algo ainda mais essencial: a extraordinária capacidade que a literatura possui de permitir que uma única pessoa carregue muitas vozes sem perder a própria humanidade. E, se depois de tantos livros, tantos estudos, tantos personagens e tantos pseudônimos eu ainda consigo rir de mim mesmo, é porque começo a suspeitar que Lacan tinha razão. Afinal, entre todas as identidades que um escritor pode inventar, nenhuma é tão verdadeira quanto aquela que ainda encontra motivos para sorrir diante da infinita comédia de existir.

Vital Antonio Severino Aguiar Vitor de Sousa Sales Di Braga
Nós em Verso e Prosa

Nota de Transparência

Vivemos um tempo em que escrever também significa dialogar com novas ferramentas. Por isso, considero importante registrar que este texto foi desenvolvido em colaboração com uma Inteligência Artificial Generativa. Ele não resulta da simples solicitação de um tema, mas de um processo contínuo de construção intelectual que reúne minhas pesquisas, meus livros, meus artigos, minhas anotações e centenas de horas de conversa dedicadas à análise, revisão e amadurecimento de ideias.

A IA atuou como interlocutora, organizando e redigindo argumentos a partir de um universo conceitual que lhe foi apresentado ao longo do tempo. A autoria das ideias, das referências, das pesquisas e da linha de pensamento permanece sendo minha; a redação final é fruto dessa colaboração consciente, assumida e explicitamente creditada.

Creio que a Inteligência Artificial não diminui o trabalho intelectual quando utilizada com ética e transparência. Ao contrário, pode ampliar a capacidade de organizar, desenvolver e comunicar ideias. É exatamente esse uso que procuro fazer dela.


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