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Mostrando postagens de maio, 2026

Novidade

O Ponto dos Contos: Crônicas Improváveis

Sinopse O Ponto dos Contos – Crônicas Improváveis reúne histórias bem-humoradas, irreverentes e surpreendentes que despertam aquilo que existe de mais espontâneo nas pessoas: o riso. Em tempos marcados pelo excesso de estresse, ansiedade e excesso de informações, a literatura também pode ser uma ferramenta de bem-estar. Cada página foi escrita para proporcionar momentos leves, divertidos e capazes de arrancar boas gargalhadas. Porque sorrir faz bem. E quando o sorriso aparece, ele merece ser bonito. É justamente nesse ponto que a literatura encontra a odontologia: enquanto o livro desperta o sorriso, os profissionais da saúde bucal cuidam para que ele seja saudável, bonito e duradouro. O Direito de Ser Estranho (Apresentação) Em um mundo obcecado pela produtividade e pela padronização do comportamento, vivemos em uma época particularmente inclinada a transformar diferenças, desconfortos e comportamentos incomuns em explicações rápidas. É o império do diagnóstico instantâneo: aquele qu...

Brilha Diamante

Esta tela parece um portal entre duas dimensões. Em Brilha Diamante , Wirveng Nathan transforma a delicadeza do arrebol em uma reflexão sobre presença e realização. Inspirada pelo entardecer, no momento em que o azul do céu se dissolve em suaves tonalidades de rosa, a obra nasce inspirada pela contemplação da natureza, mas rapidamente ultrapassa a simples representação figurativa e alcança uma dimensão simbólica e existencial. No primeiro olhar, somos, inevitavelmente, atraídos pela estrela luminosa que domina a parte superior da composição. Sua posição privilegiada a transforma no eixo de leitura e referência visual do conjunto. Não parece estar ali apenas para iluminar a cena, mas para apontar uma direção. A estrela funciona como um farol na imensidão do céu, sua presença sugere um chamado silencioso para a descoberta de si mesmo e para a realização de um potencial ainda em processo de construção. Sob a luz das estrelas, um arbusto solitário se projeta sobre a rocha escura e sua apa...

A'rara - Memória e Resistência

Registrando memória e resistência, A’rara , de Wirveng Nathan , nasce da urgente necessidade de reconhecimento e reafirmação da identidade de um povo que luta contra o apagamento. A inspiração do jovem pintor autodidata-quilombola parte da contemplação da natureza e repousa numa “ave de muitas cores” (A’rara em Tupi), mas rapidamente ultrapassa o campo figurativo para alçar voo sobre dimensões simbólicas mais profundas. A ave retratada deixa de ser apenas um pássaro exuberante do imaginário brasileiro e se converte em metáfora: da permanência, da luta e da beleza que resistem mesmo diante das ameaças da extinção e apagamento. Associando a trajetória das araras à experiência histórica dos quilombolas, Nathan estabelece uma ligação poética entre natureza e ancestralidade: assim como essas aves sobrevivem apesar da destruição dos seus habitats, os quilombolas seguem preservando cultura, memória e identidade em meio às violências sociais e estruturais impostas ao longo da história. Porta...

Entre a Feira e o Museu

“Um rio não deixa de ser um rio porque conflui com outro rio.” – Nêgo Bispo Nas minhas andanças pelo Brasil e mais amiúde pelo Nordeste, tenho compreendido que a arte nunca pertenceu, exclusivamente, aos espaços institucionalizados da cultura. Desde muito antes da existência de galerias, editais, bienais ou cursos superiores de artes visuais, homens e mulheres já esculpiam, gravavam e pintavam suas experiências de mundo a partir da relação direta com o território, com a oralidade e com a memória coletiva. Nesse sentido, penso que a Arte nasce da convivência, da experiência comunitária e da permanência cultural; nasce do roçado, das criações, das casas de taipa, dos terreiros, das feiras livres, das festas populares, das romarias e dos caminhos do litoral aos sertões. Ela surge como extensão da própria vida, porque esta não basta, como diz o Ferreira Gullar , e não como exercício intelectual apartado da existência cotidiana. A escultura em madeira, a gravura aliada da tradição do cordel...

Casa da Infância - Brilha uma Estrela

Esta é a primeira experiência de acrílica sobre tela de Wirveng Nathan ; nela, o artista debutante transforma lembranças em paisagem e afeto. Casa da Infância marca um instante de evolução onde o artista deixa os desenhos improvisados dos cadernos para descobrir, na pintura, uma forma mais profunda de narrar suas origens e permanências. Aqui tudo é afeto transformado em imagem. A pequena casa, a árvore seca, o céu azul intenso e a paisagem verdejante não se organizam como reprodução fiel da realidade, mas como território. Nathan pinta aquilo que permanecerá vivo dentro dele: a lembrança do “antigo” lar, da origem e da paisagem emocional que o constituiu. Assim, a tela transforma memórias em presença. Precocemente, a composição revela uma percepção intuitiva do espaço e da atmosfera. Os azuis e verdes criam uma sensação de distância e serenidade, enquanto os tons terrosos do telhado e do tronco conversam com a dureza do chão sertanejo e das experiências vividas. A árvore sem folhas, a...

Espelho em Ruptura

Há obras que se explicam pela forma, outras pelo tema, mas esta será explicada pelo intervalo. A tela "Espelho em Ruptura" , de Wirveng Nathan, dividida entre claro e escuro, a superfície não organiza o mundo: ela o desestabiliza. O que poderia ser apenas contraste se dissolve em vibrações da superfície que não refletem, mas distorcem. O que vemos não é a óbvia dualidade, mas uma tensão contínua entre presença e apagamento. As figuras, essencialmente caracterizadas, não afirmam as identidades de um corpo branco sobre o fundo escuro, outro negro sobre o campo claro. A oposição não se sustenta como equilíbrio: ela se desfaz em círculos concêntricos que embaralham qualquer certeza. O reflexo não confirma: provoca questionamentos. A ausência de preparação da tela, longe de se configurar como fragilidade técnica, revela uma escolha sensível ou uma arguta intuição: a textura crua emerge como superfície viva, fazendo da matéria parte ativa da imagem. A água, aqui, não é pintada, ela...

Olhos da Resistência

Em “Olhos da Resistência” , obra do jovem artista quilombola Wirveng Nathan , o silêncio ocupa quase toda a tela. Os cabelos negros e denso que envolve a figura não funciona apenas como fundo: ele reflete a atmosfera, peso e ausência na cena. No centro dessa escuridão, emerge o rosto de uma mulher parcialmente ocultado por uma venda negra – como um sinal de luto – que atravessa os olhos como um gesto de interdição. A composição é simples, com poucos elementos, mas cada um deles possui forte carga simbólica. A venda não sugere neutralidade. Sugere apagamento. Há na cena a sensação de alguém impedido de olhar, falar ou existir plenamente dentro de uma estrutura que historicamente silencia determinados corpos. Os lábios vermelhos se destacam: gritam e rompem a contenção cromática da obra e instauram tensão imediata. São o ponto mais vivo da pintura: presença, desejo, denúncia e sobrevivência coexistindo em um único detalhe. Já o dourado do adorno remete à ancestralidade, à força feminina ...

Epílogos & Prólogos

Em Epílogos & Prólogos , há algo de, deliberadamente, paradoxal: apresenta-se como abertura e encerramento, mas, ao fim da leitura, revela-se ao leitor, sobretudo, como um gesto parado no ar, uma interrupção consciente. Não uma ruptura violenta, mas uma inflexão: quase uma mudança de rumo assumida em voz alta. O livro, a partir de uma leitura crítica, não se sustenta apenas como reunião de textos poéticos. Ele funciona como dispositivo de reflexões. Mais do que versos, há aqui uma encenação da própria autoria ou, mais precisamente, da recusa de uma autoria única. Vital Sousa , Tonny Aguiar e Biu Di Braga  não aparecem como heterônimos, pseudônimos ou máscaras que escondem um autor, mas como formas distintas de dizer aquilo que um só nome não conseguiria. É justamente nesse ponto que reside sua maior força e também a tensão que atravessa a construção dos personagens e da obra. A pseudonímia, tantas vezes confundida e questionada por editores e mediadores do mercado, face a uma ...