Sinopse O Ponto dos Contos – Crônicas Improváveis reúne histórias bem-humoradas, irreverentes e surpreendentes que despertam aquilo que existe de mais espontâneo nas pessoas: o riso. Em tempos marcados pelo excesso de estresse, ansiedade e excesso de informações, a literatura também pode ser uma ferramenta de bem-estar. Cada página foi escrita para proporcionar momentos leves, divertidos e capazes de arrancar boas gargalhadas. Porque sorrir faz bem. E quando o sorriso aparece, ele merece ser bonito. É justamente nesse ponto que a literatura encontra a odontologia: enquanto o livro desperta o sorriso, os profissionais da saúde bucal cuidam para que ele seja saudável, bonito e duradouro. O Direito de Ser Estranho (Apresentação) Em um mundo obcecado pela produtividade e pela padronização do comportamento, vivemos em uma época particularmente inclinada a transformar diferenças, desconfortos e comportamentos incomuns em explicações rápidas. É o império do diagnóstico instantâneo: aquele qu...
Em “Olhos da Resistência”, obra do jovem artista quilombola Wirveng Nathan, o silêncio ocupa quase toda a tela. Os cabelos negros e denso que envolve a figura não funciona apenas como fundo: ele reflete a atmosfera, peso e ausência na cena. No centro dessa escuridão, emerge o rosto de uma mulher parcialmente ocultado por uma venda negra – como um sinal de luto – que atravessa os olhos como um gesto de interdição.
A composição é simples, com poucos elementos, mas cada um deles possui forte carga simbólica. A venda não sugere neutralidade. Sugere apagamento. Há na cena a sensação de alguém impedido de olhar, falar ou existir plenamente dentro de uma estrutura que historicamente silencia determinados corpos.
Os lábios vermelhos se destacam: gritam e rompem a contenção cromática da obra e instauram tensão imediata. São o ponto mais vivo da pintura: presença, desejo, denúncia e sobrevivência coexistindo em um único detalhe. Já o dourado do adorno remete à ancestralidade, à força feminina e à permanência cultural negra, mesmo diante das violências históricas.
A força da obra está justamente no contraste entre ocultamento e presença. Mesmo vendada, a figura ocupa a tela de forma incontornável. Ela não desaparece. Permanece.
Ao afirmar que a obra trata do feminicídio – sofrido majoritariamente por mulheres negras –, Wirveng Nathan desloca sua pintura do campo meramente estético para um território político e humanitário. Sua arte não ilustra uma pauta: ela testemunha uma realidade.
Mais do que representar uma personagem específica, a pintura transforma uma experiência coletiva em imagem. Sua linguagem direta, intuitiva e emocional desloca a obra para além do mero retrato, aproximando-a de um testemunho visual sobre violência, invisibilidade e resistência.
Serviço:
Pintura "Olhos da Resistência", de Wirveng Nathan
Acrílica sobre tela (50 X 30)
Valor: 450,00 (Quatrocentos e Cinquenta Reais)
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