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Novidade

A Taça - Uma Reflexão

Até certo ponto de sua produção, Wirveng Natham construiu uma trajetória marcada pela representação da presença. Seus personagens e paisagens afirmam identidades e revelam vínculos com a cultura e a natureza. Em A Taça , entretanto, o jovem e emergente artista realiza um movimento silencioso, porém decisivo: substitui a presença pela ausência como elemento estruturador da obra. A mudança é perceptível desde a composição. Sobre um fundo negro absoluto, poucos traços são suficientes para delinear uma taça quase transparente. Não há referências que conduzam o olhar. Tudo o que permanece é um objeto reduzido à sua essência, envolvido por um vazio que deixa de ser simples espaço negativo para assumir protagonismo. A pintura passa a existir menos pelo que mostra do que pelo que deliberadamente escolhe não mostrar. Essa inversão é reforçada pela reflexão proposta pelo próprio artista. Em vez de recorrer ao conhecido dilema entre o recipiente "meio cheio" e "meio vazio", ...

Olhos da Resistência


Em “Olhos da Resistência”, obra do jovem artista quilombola Wirveng Nathan, o silêncio ocupa quase toda a tela. Os cabelos negros e denso que envolve a figura não funciona apenas como fundo: ele reflete a atmosfera, peso e ausência na cena. No centro dessa escuridão, emerge o rosto de uma mulher parcialmente ocultado por uma venda negra – como um sinal de luto – que atravessa os olhos como um gesto de interdição.

A composição é simples, com poucos elementos, mas cada um deles possui forte carga simbólica. A venda não sugere neutralidade. Sugere apagamento. Há na cena a sensação de alguém impedido de olhar, falar ou existir plenamente dentro de uma estrutura que historicamente silencia determinados corpos.

Os lábios vermelhos se destacam: gritam e rompem a contenção cromática da obra e instauram tensão imediata. São o ponto mais vivo da pintura: presença, desejo, denúncia e sobrevivência coexistindo em um único detalhe. Já o dourado do adorno remete à ancestralidade, à força feminina e à permanência cultural negra, mesmo diante das violências históricas.

A força da obra está justamente no contraste entre ocultamento e presença. Mesmo vendada, a figura ocupa a tela de forma incontornável. Ela não desaparece. Permanece.

Ao afirmar que a obra trata do feminicídio – sofrido majoritariamente por mulheres negras –, Wirveng Nathan desloca sua pintura do campo meramente estético para um território político e humanitário. Sua arte não ilustra uma pauta: ela testemunha uma realidade.

Mais do que representar uma personagem específica, a pintura transforma uma experiência coletiva em imagem. Sua linguagem direta, intuitiva e emocional desloca a obra para além do mero retrato, aproximando-a de um testemunho visual sobre violência, invisibilidade e resistência.

Serviço:

Pintura "Olhos da Resistência", de Wirveng Nathan

Acrílica sobre tela (50 X 30)

Valor: 450,00 (Quatrocentos e Cinquenta Reais)

Para Compra Direta fale com o Artista:

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Abraço da Natureza

Em Abraço da Natureza , Wirveng Nathan nos convida a desacelerar e a reencontrar aquilo que frequentemente esquecemos na vida contemporânea: a paz nasce quando reconhecemos que fazemos parte da paisagem e não quando tentamos nos colocar acima dela. Nesta obra, Nathan transforma a paisagem em abrigo espiritual. O horizonte amplo, as colinas suaves e o céu luminoso criam um cenário de serenidade que convida à pausa e à contemplação. Mais do que representar um lugar, o artista revela uma relação profunda de pertencimento com o território onde construiu sua identidade. As pequenas figuras espalhadas pelo campo — caminhando de mãos dadas, brincando ou simplesmente repousando — reforçam essa ideia de conexão. Diante da vastidão da paisagem, o ser humano aparece em escala reduzida, lembrando que a verdadeira grandeza não está no domínio da natureza, mas na capacidade de viver em harmonia com ela. O sol que ilumina a cena, o céu aberto, as nuvens em movimento, as colinas e a vegetação que oc...

Flores Noturnas

Assim como existem flores que escolhem o dia e outras aguardam a chegada da noite, em Flores Noturnas , Wirveng Nathan nos conduz a um espaço onde a escuridão não representa ausência, mas possibilidade. O fundo profundo que envolve a composição não sufoca as formas; torna-se o ambiente onde elas encontram condições para existir e florescer. A natureza sempre encontra um caminho e algumas espécies parecem compreender esse segredo. O mandacaru, a dama-da-noite e a flor-da-lua revelam sua plenitude quando a luz diminui. A noite, que poderia sugerir recolhimento, transforma-se em território de encontro. Morcegos, mariposas e outros seres noturnos participam silenciosamente desse ciclo, renovando a vida e estabelecendo relações invisíveis aos olhos apressados. Talvez seja essa a delicada força que atravessa a pintura. As flores surgem como presenças que não disputam espaço com a escuridão. Habitam-na e encontram nela sua própria forma de permanência. Na tela, nada é definitivo para o olhar...