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Mostrando postagens de setembro, 2025

Novidade

Eu no Espelho - Dia Nacional do Escritor

Não deixei o Dia Nacional do Escritor passar em branco... Talvez apenas o tenha deixado passar em preto e branco. Afinal, a folha de photobooth que acompanha esta publicação não é um exercício de vaidade, tampouco uma tentativa de provar que um escritor pode fazer dezesseis caretas diferentes diante de uma câmera. É, antes de tudo, uma pequena confissão. Ontem, 25 de julho, celebramos o Dia Nacional do Escritor . Hoje, resolvi comemorar a data mostrando um pouco daquilo que raramente aparece nas fotografias de divulgação de um livro: a estranha multidão que habita um único autor. Durante muito tempo me perguntaram por que assino obras com nomes diferentes. Alguns imaginam estratégia de mercado; outros, mero capricho estético. A verdade é menos simples e muito mais divertida. Vital Sousa é quem organiza o pensamento, estrutura projetos, pesquisa, estuda e procura dar coerência às ideias. Tonny Aguiar prefere a narrativa, as crônicas, o romance, os personagens que caminham entre o abs...

O Quintal das Acácias

Apresentação do Livro Desde as primeiras linhas, sinto-me invadido por ecos de escritoras que, antes de Cassia Guerra mergulharam nas entranhas do feminino para fazer emergir verdades incômodas e necessárias. Penso em Gertrudes, ou Tuda, de A Bela e a Fera de Clarice Lispector, quando pede um conselho que ninguém lhe pode dar; em Macabéa, em A Hora da Estrela , que existia na invisibilidade até ser revelada pela palavra. Recordo ainda as Insubmissas Lágrimas de Mulheres , de Conceição Evaristo, que transformam dor em escrita e silêncio em grito, e não posso deixar de ouvir o chamado de Simone de Beauvoir em O Segundo Sexo , ao lembrar que não se nasce mulher: torna-se. Não falo, portanto, de "empoderamento". Prefiro a palavra “reconhecimento”. Porque não se empodera o que já é poder. Dizer “empoderar” soa a concessão, como se fosse a sociedade patriarcal quem autorizasse as mulheres a existir. O Quintal das Acácias desmonta esse eufemismo e afirma: as mulheres sempre fora...

Cássia Guerra Galindo

“Silvestre Guerra” soa como uma doce contradição para uma avalanche de naturalidade que aflora das histórias contadas pela Tia Cássia . Reais ou inventadas, são compartilhadas com flores, borboletas, pássaros e outros seres alados como fadas e querubins. Escutá-las é alçar voo num céu azul-celeste, salpicado de nuvens de algodão-doce e pássaros de alfenim: pura ternura para nossos ouvidos. Contudo, nem tudo são cores e flores: vez por outra pode brotar, para ouvidos amadurecidos pela vida, em forma de crônica ou poesia, algumas lembranças de espinhos podados com força, coragem e determinação, marcas registradas de um Clã de Guerreiras que batizei de Clã das Acácias. Rita de Cássia Silvestre Guerra é o seu nome completo, mas todos a conhecem como Cássia Guerra . Formada em Magistério pelo Colégio Municipal de Garanhuns e Letras pela Universidade de Pernambuco, com especialização em Língua Portuguesa pela UPE e Gestão Escolar pela UFPE. Desde muito pequena, já sabia que seria professora...

Wirveng Nathan: Resistência e Luta

Wirveng Nathan: Arte, Memória e Resistência Por Vital Sousa, Escritor e Consultor Editorial Apresentar um artista em processo de criação de si mesmo é uma tarefa que exige certa dose de coragem e toques de loucura: algo que me é familiar. Comecei a escrever aos dez anos, fascinado pela visão de mundos das imagens e ilustrações de livros e revistas que me chegavam às mãos e eram devorados por minha mente sequiosa. Ganhei, assim, a fama de garoto estranho, para a maioria, e de louco para os menos condescendentes. Por isso, sinto-me à vontade, como quem conversa no terreiro, sob a sombra de uma árvore, para mergulhar no passado e nas pinturas de Wirveng Nathan . Garoto quilombola do Mundo Novo , em Buíque (PE ), Nathan tem apenas alguns anos a mais que eu tinha quando descobri meu caminho pelas palavras. Ele revela um talento singular ao transformar memórias e vivências em pintura. Já com postura de gente grande, conta que começou a desenhar aos quatro anos de idade. Isso, em parte, expl...