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Novidade

A Taça - Uma Reflexão

Até certo ponto de sua produção, Wirveng Natham construiu uma trajetória marcada pela representação da presença. Seus personagens e paisagens afirmam identidades e revelam vínculos com a cultura e a natureza. Em A Taça , entretanto, o jovem e emergente artista realiza um movimento silencioso, porém decisivo: substitui a presença pela ausência como elemento estruturador da obra. A mudança é perceptível desde a composição. Sobre um fundo negro absoluto, poucos traços são suficientes para delinear uma taça quase transparente. Não há referências que conduzam o olhar. Tudo o que permanece é um objeto reduzido à sua essência, envolvido por um vazio que deixa de ser simples espaço negativo para assumir protagonismo. A pintura passa a existir menos pelo que mostra do que pelo que deliberadamente escolhe não mostrar. Essa inversão é reforçada pela reflexão proposta pelo próprio artista. Em vez de recorrer ao conhecido dilema entre o recipiente "meio cheio" e "meio vazio", ...

O Quintal das Acácias


Apresentação do Livro


Desde as primeiras linhas, sinto-me invadido por ecos de escritoras que, antes de Cassia Guerra mergulharam nas entranhas do feminino para fazer emergir verdades incômodas e necessárias. Penso em Gertrudes, ou Tuda, de A Bela e a Fera de Clarice Lispector, quando pede um conselho que ninguém lhe pode dar; em Macabéa, em A Hora da Estrela, que existia na invisibilidade até ser revelada pela palavra. Recordo ainda as Insubmissas Lágrimas de Mulheres, de Conceição Evaristo, que transformam dor em escrita e silêncio em grito, e não posso deixar de ouvir o chamado de Simone de Beauvoir em O Segundo Sexo, ao lembrar que não se nasce mulher: torna-se.

Não falo, portanto, de "empoderamento". Prefiro a palavra “reconhecimento”. Porque não se empodera o que já é poder. Dizer “empoderar” soa a concessão, como se fosse a sociedade patriarcal quem autorizasse as mulheres a existir. O Quintal das Acácias desmonta esse eufemismo e afirma: as mulheres sempre foram poder, mesmo quando o mundo insistiu em chamá-las de submissas.

Este livro é mais que um romance de ficção biográfica. É um libelo contra o machismo estrutural, uma denúncia e, ao mesmo tempo, uma celebração da força ancestral feminina. Do sertão pernambucano às ruas de São Paulo, a narrativa acompanha Flora — a última flor do ventre de Amélia — e o clã de mulheres que, geração após geração, souberam transformar perda em luta, violência em coragem e silenciamento em legado.

Aqui, cada personagem ecoa uma genealogia de resistência. O que a história oficial tentou apagar, reaparece na memória insurgente destas páginas. O que o patriarcado quis transformar em derrota, revela-se como estratégia de sobrevivência. Tal como as personagens de Clarice, Conceição e Beauvoir, as mulheres do Quintal das Acácias nos mostram que viver, em si, já é um ato político.

O livro floresce entre denúncia e afeto, mostrando que cada lágrima irrigou raízes e cada ferida abriu espaço para outras flores. Trata-se de um testemunho coletivo, de um amor radical que se transmuta em herança: não apenas de uma família, mas de todas as mulheres que ousaram não se curvar ao destino imposto.

Fazer esta apresentação é mais que uma honra: é reafirmar-me como feminista. Não por mera escolha intelectual, mas por ser pai de mulheres e, sobretudo, por acreditar que não existe outro caminho ético. Em tempos de retrocesso político, cultural e social, reafirmo aqui que este livro é um convite para que nenhuma mulher se sinta só em sua luta.

Ao abrir as portas deste quintal, o leitor entra em comunhão com todas as Amélias, Floras e Clarissas que resistiram antes de nós.

E encerro com Fernanda Young, que resume a essência desta obra:

“Nada mais indigesto para um mundo dominador do que a liberdade de uma mulher.”


Prefácio do Livro por Socorro Feitosa

Narrativa da realidade com elementos de ficção e arte. Sim, “O quintal das Acácias” é, sem sombra de dúvidas, uma (auto)biografia romanceada, mas é aí que a gramática carece de exatidão: mais que isso, esta obra é um convite; uma permissão — daquelas que quando alguém bate à porta a gente responde: “Pode entrar, ‘emburaque’. A porta está aberta!”

E a gente vai, direto para a cozinha, lugar da confiança, das pessoas íntimas. Pois é, você conhece, ou melhor, acaba de ser convidado para conhecer e participar da vida de um Clã de Mulheres sertanejas, sofridas, resistentes e fortes tal qual a madeira da Arca da Aliança, Acácia, mas sensíveis como as pétalas das flores do campo.

A escritora, tendo em seu nome Silvestre e Guerra, não poderia ser diferente nos seus escritos. Autêntica, sensível e humanamente corajosa: Cássia escancara, não apenas as portas das casas de toda a família, mas sim, as portas da alma. Ao falar sobre os chás de cabacinha, tomados por Dona Amélia, os silêncios e os gritos de Flora, paradoxo personificado, casar duas vezes com o mesmo homem. A Fênix sertaneja. Seu texto é visceral.

Professora de Língua Portuguesa, ela se desnuda da linguagem formal e opta pela coloquial porque propõe a conversa, a troca, o desabafo, a reflexão. Aqui vamos encontrar a força do depoimento das muitas vozes silenciadas ou os gritos presos ou soltos nas gargantas, literal e literariamente falando. Contar a história não é fácil, imagine vivê-la.

Quem dera que estas histórias aqui contadas, porque vividas, fossem apenas do passado, mas sabemos que não são. Abusos, descasos, humilhações e tantas outras formas de violência contra a mulher continuam a existir no momento atual. Aí reside a importância dessa obra; que a voz silenciada daquela que veio antes de mim ecoe através da minha garganta e da próxima, e da próxima e da próxima…

A exposição da dor, da vida feminina aqui apresentada denota um ato de bravura e de extrema “coragem”. Esse texto é grito, é “curador”. Quando uma mulher se cura, ela oportuniza a cura para todas no seu entorno.

Aqui, para nós, querida leitora e querido leitor — Cássia, ao escrever, não fazia ideia do poder de cura das suas palavras — eu proponho que você, ao iniciar a leitura deste livro, tire os sapatos, aí mesmo onde está, folgue a roupa, e se dispa… Peraí, peraí, dispa-se de julgamentos.

Ufa! Ainda bem que deu tempo, penso eu. Desejo uma ótima leitura e reflexões.

Aplausos para todas as Acácias!


Socorro Feitosa
é Professora, mediadora de leitura, formadora de professores, mestra em Educação Brasileira pela UFAL, contadora de histórias e consteladora familiar. Idealizadora do, hoje, Ponto de Cultura Biblioteca Casa da Gente, membra da Associação Cultural dos Poetas, Repentistas e declamadores do Agreste Meridional - ACPRDAM, Presidente da Academia dos Amigos de Garanhuns- AMIGA, membra do Rotary Club Garanhuns 7 Colinas e da Academia Brasileira Rotária de Letras - ABROL PE.

Atualmente é professora de Sala de Leitura Graciliano Ramos da Escola Padre Dehon, conta histórias em escolas, parques, praças, centros de reabilitação, eventos de livro e leitura, e onde houver humanidades além professora da Rede Municipal de Educação de Garanhuns - PE


Trecho do Livro

O ano era 1949, mais de sete décadas se passaram, mas os acontecimentos que aqui serão narrados continuam nítidos na memória de alguns que ainda sobrevivem e de seus descendentes. Tais acontecimentos foram tão dolorosos que apagaram da memória da pequena Flora, quase todas as lembranças relacionadas à fisionomia e convívio com sua mãe Dona Amélia, antes do fatídico dia de sua morte.

A vida no sertão pernambucano não era fácil, como ainda hoje não é. O trabalho escasso poucas oportunidades de ascender na vida, a árdua labuta diária e tudo muito precário. Condições estas que praticamente obrigou um grande número de nordestinos a migrarem de sua terra natal para se aventurarem no sudeste do país e, principalmente, no novo polo industrial da década de cinquenta, a metrópole paulistana, que se tornou o grande sonho de todos aqueles que almejavam um futuro promissor.

Os homens saiam para seus trabalhos braçais, pois se viam na obrigação de serem provedores, enquanto as mulheres ficavam em casa, praticando de forma magistral sua função de manter a família unida, alimentada e cuidada. As perspectivas de melhora de vida eram poucas, as mulheres se conformavam em cuidar dos filhos, dos muitos filhos, e dos afazeres domésticos, enquanto os maridos trabalhavam fora e ao chegar em casa teriam com certeza sua linda esposa a esperar, comida pronta e casa limpa e, ainda, “um amor pra coroar o fim do dia”. Diga-se, de passagem, que foi na década de 50 que as mulheres mundo afora conquistaram novos campos de trabalho, mas no sertão nordestino ainda não se falava nesses assuntos feministas e a mulher era ainda totalmente submissa e exclusivamente Dona de casa. Enquanto os homens gozavam de toda a liberdade, viviam suas vidas de forma intensa, pois como homens tudo podiam e como se diz ainda hoje em alguns lugares do nordeste “em homem nada pega”.

Valendo-se de toda a liberdade, na época, exclusivamente concedida aos homens, Senhor José como, qualquer outro, levava uma vida dupla: na rua diversões variadas com amigos e Senhoras descomprometidas com a moral e os bons costumes vigentes e em casa exercia sua autoridade de Chefe de Família, para com a esposa e os filhos com bastante firmeza, o que causava grande tristeza em Dona Amélia, por esta ser uma mulher à frente das convenções do seu tempo, cuja postura de parceira atuante no desenvolvimento do bem estar da família e da educação dos filhos, destoava da letra da popular canção Amélia, de Mário Lago e Ataulfo Alves . O que lhe restava, muito a contragosto, era submeter-se as vontades do marido e continuar exercendo seu papel de excelente Dona de casa e cuidadora amorosa dos seus seis filhos: Joana, Joaquim, Maria, Marta, Flora e Anselmo.

Apresentação da Autora

“Silvestre Guerra” soa como uma doce contradição para uma avalanche de naturalidade que aflora das histórias contadas pela Tia Cássia. Reais ou inventadas, são compartilhadas com flores, borboletas, pássaros e outros seres alados como fadas e querubins. Escutá-las é alçar voo num céu azul-celeste, salpicado de nuvens de algodão-doce e pássaros de alfenim: pura ternura para nossos ouvidos.

Contudo, nem tudo são cores e flores: vez por outra pode brotar, para ouvidos amadurecidos pela vida, em forma de crônica ou poesia, algumas lembranças de espinhos podados com força, coragem e determinação, marcas registradas de um Clã de Guerreiras que batizei de Clã das Acácias.

Rita de Cássia Silvestre Guerra é o seu nome completo, mas todos a conhecem como Cássia Guerra. Formada em Magistério pelo Colégio Municipal de Garanhuns e Letras pela Universidade de Pernambuco, com especialização em Língua Portuguesa pela UPE e Gestão Escolar pela UFPE.

Desde muito pequena, já sabia que seria professora, uma das suas brincadeiras preferidas era ser professora dos primos e das bonecas. Durante alguns anos, lecionou no Colégio Diocesano de Garanhuns e no Instituto Colégio Meridional, também deu aulas de português em cursinhos preparatórios para vestibular e concursos. Durante sua trajetória como professora da rede municipal, trabalhou na sala de leitura. Nessa época, criou um canal no YouTube onde faz mediação e contação de histórias até hoje. Atualmente, é professora de Língua Portuguesa aposentada pelo Município de Garanhuns, Estado de Pernambuco, e dedica-se com mais ênfase à escrita.

Ama escrever, mas nunca valorizou muito esse dom; escrevia e perdia os textos: poesia, crônicas, contos e rascunhos de um romance. Esses rascunhos, em grande parte guardados na memória, transformaram-se no manuscrito de O Quintal das Acácias, o seu primeiro livro, fruto de uma enxurrada de lembranças que ela mesma não sabia estarem tão vivas.

Mais que ficção biográfica, a obra se ergue como libelo contra o machismo estrutural, ao mesmo tempo em que celebra a força ancestral feminina.

Lançamento

Começou no dia 19 de setembro a Pré-venda do livro O Quintal das Acácias, obra que promete marcar a cena literária de 2025. Mais do que uma ficção biográfica, o romance é um manifesto contra o machismo estrutural e um tributo à resistência feminina do sertão nordestino.

Narrado por uma descendente do "Clã das Acácias", o livro percorre gerações de mulheres que transformaram dor em força e sobrevivência em legado. Do Sertão de Pernambuco às ruas de São Paulo, a saga de Flora e suas herdeiras ecoa como um testemunho de amor, empatia e ancestralidade.

A data oficial de lançamento está marcada para o dia 27-nov-2025, com evento híbrido que reunirá roda de conversa e leitura dramatizada com trechos da obra.

Enquanto isso, leitoras e leitores já podem garantir seu exemplar na [LISTA DE PRÉ-VENDA] abaixo, que traz uma dedicatória exclusiva e como brinde um marcador de página.

“O Quintal das Acácias” — uma história de resistência, memória e esperança.


Vital Sousa
Quatro Editora


[LISTA DE PRÉ-VENDA]

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Preço Promocional até o Lançamento: R$. 49,90
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