Não deixei o Dia Nacional do Escritor passar em branco... Talvez apenas o tenha deixado passar em preto e branco. Afinal, a folha de photobooth que acompanha esta publicação não é um exercício de vaidade, tampouco uma tentativa de provar que um escritor pode fazer dezesseis caretas diferentes diante de uma câmera. É, antes de tudo, uma pequena confissão. Ontem, 25 de julho, celebramos o Dia Nacional do Escritor . Hoje, resolvi comemorar a data mostrando um pouco daquilo que raramente aparece nas fotografias de divulgação de um livro: a estranha multidão que habita um único autor. Durante muito tempo me perguntaram por que assino obras com nomes diferentes. Alguns imaginam estratégia de mercado; outros, mero capricho estético. A verdade é menos simples e muito mais divertida. Vital Sousa é quem organiza o pensamento, estrutura projetos, pesquisa, estuda e procura dar coerência às ideias. Tonny Aguiar prefere a narrativa, as crônicas, o romance, os personagens que caminham entre o abs...
Se nas obras anteriores de Cartografias do Invisível , Wirveng Nathan parecia investigar os territórios da memória, do feminino e dos afetos através de símbolos abertos à contemplação, em Inabalável ele atravessa uma fronteira estética e emocional. Aqui não há metáfora que procure suavizar a dor. O símbolo é direto, quase brutal. E, paradoxalmente, é justamente dessa brutalidade que emerge o lirismo da obra. Nathan abandona qualquer tentativa de suavizar a experiência humana e conduz o observador ao núcleo de uma das questões mais universais da existência: a permanência da essência diante da ferida. Um coração envolto por arames farpados sangra no centro da composição, transformando-se em metáfora dos relacionamentos que deixam marcas profundas sem, contudo, destruir aquilo que somos. A economia cromática intensifica a potência simbólica da obra. O vermelho expõe a vulnerabilidade, o preto anuncia a presença da dor e o branco cria um espaço de suspensão onde a narrativa emocional se d...