Até certo ponto de sua produção, Wirveng Natham construiu uma trajetória marcada pela representação da presença. Seus personagens e paisagens afirmam identidades e revelam vínculos com a cultura e a natureza. Em A Taça , entretanto, o jovem e emergente artista realiza um movimento silencioso, porém decisivo: substitui a presença pela ausência como elemento estruturador da obra. A mudança é perceptível desde a composição. Sobre um fundo negro absoluto, poucos traços são suficientes para delinear uma taça quase transparente. Não há referências que conduzam o olhar. Tudo o que permanece é um objeto reduzido à sua essência, envolvido por um vazio que deixa de ser simples espaço negativo para assumir protagonismo. A pintura passa a existir menos pelo que mostra do que pelo que deliberadamente escolhe não mostrar. Essa inversão é reforçada pela reflexão proposta pelo próprio artista. Em vez de recorrer ao conhecido dilema entre o recipiente "meio cheio" e "meio vazio", ...
Mais um Natal; mais uma visita dos Espíritos do Natal. Hoje, deu o ar da graça o Espírito do Natal Passado. Como o velho Scrooge, despertei pensando “Nela”. Há tempos não lembrava desse ponto no espaço-tempo da minha trajetória neste Universo. Um forte indício da veracidade da visita do ilustre espectro. Visitamos o início dos anos 80, meados de 83 para início de 84 mais precisamente, quando tudo que eu pensava era terminar a faculdade como Economista, fazer uma pós de Finanças e Controladoria e me tornar o novo Roberto Campos - Bob Field para os postulantes - ou um gerente de Banco. Tudo em resposta a um certo Professor João, que ao ouvir que eu sonhava em trabalhar num banco, disse, para deleite dos meus carrascos de bullying: “só se for no banco da praça”. Expressão seguida de estrondosa gargalhada e uma silenciosa promessa para mim mesmo: “vou ser gerente do banco”. O tempo passou e depois de cinco anos trabalhando numa importante instituição financeira, por causa de uma tal de Tec...