Pular para o conteúdo principal

Novidade

As Faces de Eva - Um Ato Público, Púbico e Não Pudico

Na psicologia do desenvolvimento, a região púbica e o surgimento dos pelos pubianos marcam a travessia da infância para a puberdade. É o sinal visível de que algo amadurece, de que o corpo anuncia uma passagem irreversível rumo à maturidade sexual e simbólica. Não se trata apenas de biologia, mas de consciência: o corpo diz aquilo que a mente ainda precisa aprender a sustentar. Na psicanálise, o púbico - esse território tantas vezes silenciado ou coberto de pudor - não possui um significado fixo ou universal. Ele emerge como imagem, sonho, associação livre. Pode representar a origem da vida, a potência criadora, a vulnerabilidade extrema ou o desejo. Seu sentido é sempre singular, inconsciente, atravessado pela história de cada sujeito. O que se cala no discurso retorna no símbolo. É a partir dessa chave que nasce As Faces de Eva. Este evento se afirma como "Um Ato Público, Púbico e Não Pudico" porque recusa a infantilização do debate sobre gênero, corpo, poder e responsabil...

Desencontro Marcado


Mais um Natal; mais uma visita dos Espíritos do Natal. Hoje, deu o ar da graça o Espírito do Natal Passado. Como o velho Scrooge, despertei pensando “Nela”. Há tempos não lembrava desse ponto no espaço-tempo da minha trajetória neste Universo. Um forte indício da veracidade da visita do ilustre espectro.

Visitamos o início dos anos 80, meados de 83 para início de 84 mais precisamente, quando tudo que eu pensava era terminar a faculdade como Economista, fazer uma pós de Finanças e Controladoria e me tornar o novo Roberto Campos - Bob Field para os postulantes - ou um gerente de Banco. Tudo em resposta a um certo Professor João, que ao ouvir que eu sonhava em trabalhar num banco, disse, para deleite dos meus carrascos de bullying: “só se for no banco da praça”. Expressão seguida de estrondosa gargalhada e uma silenciosa promessa para mim mesmo: “vou ser gerente do banco”. O tempo passou e depois de cinco anos trabalhando numa importante instituição financeira, por causa de uma tal de Tecnologia da Informação, descobri que eu podia mais, merecia mais. Mudei de sonho, de emprego, de setor, de faculdade e fui trabalhar na área financeira de uma multinacional, que incluía uma ponte aérea entre a Avenida Abdias de Carvalho, em Recife, e a Avenida Paulista em São Paulo: o emprego dos sonhos de todo yuppie nordestino na década de 80.

Do período de trabalho no banco, mais precisamente dos últimos seis meses, guardo a lembrança que me visitou hoje.

No final do expediente das sextas-feiras, formávamos um paredão de engravatados e seus terninhos, vestidos ou pendurados nos ombros, para assistirmos ao desfile das beldades que saiam do trabalho e passavam no calçadão da Rua Nova, como se fosse uma passarela, em direção às paradas de ônibus da Praça da Independência ou da Avenida Dantas Barreto. Entre elas, “Ela”. Surgia dobrando a esquina da loja A Primavera, e literalmente desfilava pelos 20 e poucos metros que nos separavam, com seu elegante terninho verde ou azul marinho, não recordo precisamente, com seus cabelos castanho-claros na altura dos ombros, seus aparentes olhos claros e, claro, o sorriso mais lindo que todos atestavam jamais terem visto. Só depois de ultrapassar o ponto onde nos reuníamos, girava levemente a cabeça e, sem desmanchar o sorriso, desferia o seu costumeiro olhar fulminante... Em minha direção.

Ato contínuo, a rapaziada, em algazarra, me exortava a segui-la e abordá-la com um convite para um happy hour ou um forrozinho pé de serra no Alto da Sé, em Olinda, nosso programa favorito, e quem sabe um weekend na praia de São José da Coroa Grande, nosso reduto de veraneio, para esclarecer as dúvidas ou confirmar as certezas, que pairavam no imaginário dos meus colegas, sobre o corpo escultural da “moça bonita da praia de Boa Viagem”, como canta o Alceu. Mas nada disso nunca aconteceu.

Depois que ela passava, da algazarra, de eu ser vilipendiado pelos meus colegas de trabalho, pela minha inércia, eu pegava meus livros e cadernos e ia assistir as duas últimas aulas no Campus da UFPE, na Cidade Universitária. Que viagem!

Viajava pensando se algum dia eu a conheceria, quem era, qual o seu nome, o que fazia, qual os seus sonhos e, principalmente, qual o real propósito daqueles olhares. Isso eu nunca soube ou jamais saberei.

Hoje e todas as vezes que lembro desses fatos, me invade uma avalanche de questionamentos: se isso, se aquilo, se aquilo outro tivesse acontecido, como teria acontecido e em que se tornaria, em quem eu me tornaria. Quase um mergulho na minha psique ou no pensamento Heideggeriano do Dasein. Não tenho arrependimentos de todas as minhas versões vividas, mas, mais uma vez, após as lembranças eu penso: ainda tenho vontade de conhecê-la ou, pelo menos, saber o seu nome para dizer em meus pensamentos: “Moça Bonita”, Feliz Natal!!!


Vital Sousa, Quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Imagem: Freepik

Mais Lidos da Semana

Ventos do Catimbau - O Ser'tão Forte

Projeto: “Ventos do Catimbau – O Ser’tão Forte: Resistência, Resiliência, Resgate e Reconhecimento  no Semiárido Pernambucano” Objetivo: Identificar, Qualificar e Publicar Novos Escritores, além de Fomentar o Reconhecimento e a Valorização das pessoas que atuam em prol do Desenvolvimento Sustentável do Semiárido, destacando a importância da Educação e da Cultura em todas as suas linguagens. "Não somos 'bonzinhos' nem fazemos 'caridade': praticamos Economia Solidária e Marketing Social." - Vital Sousa - Tonny Aguiar - Biu Di Braga O  Projeto "Ventos do Catimbau - O Ser'tão Forte"  é uma Iniciativa Independente e, eventualmente, será financiado por Politicas de Fomento à Cultura como o PNAB e a Lei Rouanet.  Este é um   Projeto de cunho "Social e Sem Fins Lucrativos". O Proponente e Realizador cede os Direitos Autorais da obra Ventos do Catimbau – O Ser’tão Forte, assim como os seus Honorários para a realização das Palestras-Oficinas   c...

Petit Pois

Petit Pois é puro contraste. Em contraste com sua estatura é uma gigante em referências que desafiam a lógica e vai ao encontro da confluência cósmica de Nêgo Bispo, deslizando no fluído cósmico universal, defendido pelos espíritas. À primeira vista, reconheci a centauro fêmea Hileia – na mitologia grega, deusa menor da fertilidade e da vegetação – e com a visão mais apurada, me fez lembrar Marilyn Monroe e Eva Mendes – famosas atrizes hollywoodianas – por causa de um “pequeno detalhe: a pinta na bochecha esquerda. Reza a lenda que pessoas que têm pintas assim, apreciam a boa comida, são generosos e sabem apreciar as coisas boas da vida. Como já disse, puro contraste. Todas essas referências no meio da Caatinga Pernambucana, podem parecer meras abstrações, mas para quem conhece e ama o Sertão é puro reconhecimento, pois Petit Pois é, literalmente, a confirmação de que “a arte não é para solucionar ou decorar, mas para sobreviver” e, como diz Fernando Pessoa, “a arte é uma confiss...

Desejos

Desejos é um resumo do estilo expressionista de Cicero Souza que mistura escultura, modelagem e marchetaria para compor uma representação tridimensional de uma angústia. Ao vê-la, torna-se inseparável da Obra, o pensamento de um preceito Budista: “Não deseje, não sofra." Essa visão é corroborada pela composição da Obra: a peça que representa os grilhões que prendem as pernas da figura humana, é totalmente livre, mostrando aos incautos que a “prisão” está, apenas, na mente do ser humano, podendo o mesmo libertar-se na hora que bem “desejar”; mas se desejar continuar preso, que o faça de forma consciente. Desejos: escultura (40x18x30), em madeira de Umburana, do Artista Cícero Souza, do Vale do Catimbau. Lado Direito Costas Lado Esquerdo Certificado de Autenticidade: TG202411020002PU da Tonny Galeria . Para Comprar fale com o Tonny