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Novidade

A Taça - Uma Reflexão

Até certo ponto de sua produção, Wirveng Natham construiu uma trajetória marcada pela representação da presença. Seus personagens e paisagens afirmam identidades e revelam vínculos com a cultura e a natureza. Em A Taça , entretanto, o jovem e emergente artista realiza um movimento silencioso, porém decisivo: substitui a presença pela ausência como elemento estruturador da obra. A mudança é perceptível desde a composição. Sobre um fundo negro absoluto, poucos traços são suficientes para delinear uma taça quase transparente. Não há referências que conduzam o olhar. Tudo o que permanece é um objeto reduzido à sua essência, envolvido por um vazio que deixa de ser simples espaço negativo para assumir protagonismo. A pintura passa a existir menos pelo que mostra do que pelo que deliberadamente escolhe não mostrar. Essa inversão é reforçada pela reflexão proposta pelo próprio artista. Em vez de recorrer ao conhecido dilema entre o recipiente "meio cheio" e "meio vazio", ...

Arista - Até O Fim Do Mundo: Críticas / Comentários



"Arista - Até O Fim Do Mundo"
, de Vital Sousa, é uma obra que se desdobra em camadas múltiplas, tanto narrativas quanto psicológicas, conduzindo o leitor por uma jornada que transcende a simples leitura; é uma exploração da psique humana em suas mais profundas e enigmáticas facetas. A partir da perspectiva de Carlos Eduardo Romero (Cadu), o autor nos imerge em uma narrativa que é simultaneamente um diário de viagem e um tratado sobre a fragilidade da memória, a busca pela identidade e o significado da existência.

O livro se situa nas vésperas do “bug do milênio”, um período marcado por incertezas e temores sobre o futuro, refletindo, de maneira simbólica, as inquietações que habitam o âmago de Cadu. As lembranças que emergem em sua mente, indistintas entre realidade, sonhos ou delírios, são representativas da amnésia global transitória, uma condição que metaforiza a perda de identidade e a desconexão com a realidade que muitas vezes aflige o ser humano em momentos de crise existencial.

A narrativa se enriquece com a introdução de personagens como Nivaldo, Jacques, Arthur e Carlos Eduardo, o Cadu, cada um carregando seus próprios mistérios e verdades ocultas, orbitando o enigmático Segredo de Arista. Esta ilha, mais do que um cenário, é um símbolo da busca humana por respostas, por um sentido que transcenda a imanência da vida cotidiana.

O lema "decifra-te ou te devoro" ecoa o antigo adágio do Oráculo de Delfos, "Conhece-te a ti mesmo", e encapsula a essência da jornada de Arista, Cadu e seus companheiros. Esta máxima, profundamente enraizada na psicologia analítica, sugere que o caminho para a compreensão do self e do mundo ao redor passa inevitavelmente pela introspecção, pela coragem de enfrentar os próprios monstros internos e pelas sombras que habitam em cada um de nós.

Sousa, com uma habilidade narrativa que flerta com o realismo mágico, constrói uma trama onde o real e o imaginário se entrelaçam de forma indissociável, convidando o leitor a questionar a própria natureza da realidade. A obra é um convite à reflexão sobre como nossas memórias, sonhos e delírios moldam nossa identidade e percepção do mundo, e como a busca por respostas, por vezes, nos conduz a mais perguntas.

Do ponto de vista psicológico, "Arista, Até O Fim Do Mundo" é um estudo de caso fascinante sobre a condição humana, explorando temas como amnésia, identidade, o inconsciente coletivo e a jornada do herói. A obra de Vital Sousa não apenas entretém, mas também provoca, desafia e expande a compreensão do leitor sobre si mesmo e sobre a complexidade da mente humana.

Em suma, este livro é um opus da literatura contemporânea que merece ser lida, estudada e, sobretudo, sentida. O Segredo de Arista, mais do que um mistério a ser desvendado, é um convite à jornada interior, à descoberta de que, no fim, talvez o maior enigma a ser decifrado seja o próprio eu.

Dalila Dourado – Mestra em Psicologia pela Must University/Flórida. Especialista em Saúde Mental/UnB. Neuropsicóloga e Assistente Social. Servidora Pública da Secretaria de Estado de Saúde do DF.


Sinopse 

Arista - Até o Fim do Mundo é o Volume 1 da Trilogia Arista e retrata o Diário de um viajante, às vésperas do “bug do milênio”. Às voltas com um turbilhão de coincidências incríveis, ele se vê envolvido numa trama internacional de exploração e contrabando de ouro da Guiana Francesa para a Europa. O Diário é, também, uma inquietante tentativa de responder as perguntas sobre as origens do que ele escreve: as lembranças que afloram em sua mente e ele não sabe precisar se são, realmente, lembranças ou sonhos ou delírios.

“Se os nomes ou fatos, descritos, te fizerem lembrar de um lugar, uma pessoa, uma situação; se você experimentar uma forte sensação de déjà vu... Tenha certeza: você pode não ser a pessoa que pensa que é... Então, não perca tempo: deixe tudo que estiver fazendo e venha para Colina, Comuna de Sinnamary, Guiana Francesa, para iniciar a busca da sua verdadeira história... Procure-me no Hotel Concorde, Apto 201... Acredito ser Carlos Eduardo Romero.”


Trecho do Volume 1

Ela passou a vida inteira em busca de respostas; do “elo perdido”; de algo que justificasse sua existência, que explicasse, nos mínimos detalhes, as perguntas que nunca calavam: quem sou? O que sou? Porque, como, quando? Até quando?

Passava horas meditando sobre a vida, as pessoas e a existência. Mas de repente, percebeu, “sentiu”, como Ela definia, o que vinha de dentro e o que percebia do lado de fora, que todas as respostas estavam o tempo todo a seu alcance e num mergulho solitário e consciente, no mais profundo de si mesma, sorriu...

Ela fora a resposta o tempo todo; bastava se reconhecer; se abraçar; se amar e amar!

Percebeu que o tempo é precioso e que tudo que temos é o momento, o hoje, o agora... Mas Ela queria mais! Levantou do lugar onde estava, recitou seus mantras, jogou a “mochila” nas costas, apenas com o essencial, e foi viver...

Como sempre, repetindo: Carpe Diem...

Órfã aos dez anos, Arista foi criada por uma babá que recebeu sua guarda em função de testamento dos seus pais. Dolores era mais que uma babá: foi irmã, amiga, confidente e o porto seguro da introspectiva criança, da adolescente, da jovem mulher... Faleceu antes de ver Arista graduada em Psicologia aos vinte anos. Era uma carreira improvável para alguém tão introspectiva: trabalhar com pessoas.

Após a formatura, decidiu conhecer o mundo. Transformou sua herança em ativos financeiros e partiu. Europa, Índia, China, Tibet, Japão, passou um tempo entre os aborígenes australianos, Estados Unidos, Caribe, países andinos e voltou para casa. Alugou um flat, demonstrando que não ficaria por muito tempo, e aos 25 anos voltou para a faculdade para cuidar de suas especializações acadêmicas. Na teoria, Ela vira e acompanhara, nos mundos dos livros que lera durante a infância, adolescência e faculdade, a vida de milhares de pessoas; na prática, era autodidata, fizera sua especialização em gente nas suas andanças pelo mundo. Fluente em inglês, Francês, espanhol e alemão, não tivera problemas de comunicação, mas ainda não tinha encontrado o seu “elo perdido”: algo que desse razão à sua recém-adquirida liberdade.

Especializou-se, formalmente, na área de Desenvolvimento Humano Organizacional, em Gestão de Pessoas e Mediação de Conflitos. Dividiu seu tempo entre a faculdade e o trabalho: dedicou-se à pesquisa e desenvolvimento de Equipes Autogeridas num dos cinco maiores grupos mundiais de produção de “Energia Limpa”. Após quinze anos de trabalho, já era uma renomada expositora na sua área de atuação, resolveu dar uma parada e fazer um ano sabático. Fez o caminho de Santiago e mudou-se para uma ilha no Caribe para suas merecidas férias.


Vital Sousa
Quatro Editora


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