Não deixei o Dia Nacional do Escritor passar em branco... Talvez apenas o tenha deixado passar em preto e branco. Afinal, a folha de photobooth que acompanha esta publicação não é um exercício de vaidade, tampouco uma tentativa de provar que um escritor pode fazer dezesseis caretas diferentes diante de uma câmera. É, antes de tudo, uma pequena confissão. Ontem, 25 de julho, celebramos o Dia Nacional do Escritor . Hoje, resolvi comemorar a data mostrando um pouco daquilo que raramente aparece nas fotografias de divulgação de um livro: a estranha multidão que habita um único autor. Durante muito tempo me perguntaram por que assino obras com nomes diferentes. Alguns imaginam estratégia de mercado; outros, mero capricho estético. A verdade é menos simples e muito mais divertida. Vital Sousa é quem organiza o pensamento, estrutura projetos, pesquisa, estuda e procura dar coerência às ideias. Tonny Aguiar prefere a narrativa, as crônicas, o romance, os personagens que caminham entre o abs...
Em Epílogos & Prólogos , há algo de, deliberadamente, paradoxal: apresenta-se como abertura e encerramento, mas, ao fim da leitura, revela-se ao leitor, sobretudo, como um gesto parado no ar, uma interrupção consciente. Não uma ruptura violenta, mas uma inflexão: quase uma mudança de rumo assumida em voz alta. O livro, a partir de uma leitura crítica, não se sustenta apenas como reunião de textos poéticos. Ele funciona como dispositivo de reflexões. Mais do que versos, há aqui uma encenação da própria autoria ou, mais precisamente, da recusa de uma autoria única. Vital Sousa , Tonny Aguiar e Biu Di Braga não aparecem como heterônimos, pseudônimos ou máscaras que escondem um autor, mas como formas distintas de dizer aquilo que um só nome não conseguiria. É justamente nesse ponto que reside sua maior força e também a tensão que atravessa a construção dos personagens e da obra. A pseudonímia, tantas vezes confundida e questionada por editores e mediadores do mercado, face a uma ...