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O Ponto dos Contos: Crônicas Improváveis

Sinopse O Ponto dos Contos – Crônicas Improváveis reúne histórias bem-humoradas, irreverentes e surpreendentes que despertam aquilo que existe de mais espontâneo nas pessoas: o riso. Em tempos marcados pelo excesso de estresse, ansiedade e excesso de informações, a literatura também pode ser uma ferramenta de bem-estar. Cada página foi escrita para proporcionar momentos leves, divertidos e capazes de arrancar boas gargalhadas. Porque sorrir faz bem. E quando o sorriso aparece, ele merece ser bonito. É justamente nesse ponto que a literatura encontra a odontologia: enquanto o livro desperta o sorriso, os profissionais da saúde bucal cuidam para que ele seja saudável, bonito e duradouro. O Direito de Ser Estranho (Apresentação) Em um mundo obcecado pela produtividade e pela padronização do comportamento, vivemos em uma época particularmente inclinada a transformar diferenças, desconfortos e comportamentos incomuns em explicações rápidas. É o império do diagnóstico instantâneo: aquele qu...

Epílogos & Prólogos




Em Epílogos & Prólogos, há algo de, deliberadamente, paradoxal: apresenta-se como abertura e encerramento, mas, ao fim da leitura, revela-se ao leitor, sobretudo, como um gesto parado no ar, uma interrupção consciente. Não uma ruptura violenta, mas uma inflexão: quase uma mudança de rumo assumida em voz alta.

O livro, a partir de uma leitura crítica, não se sustenta apenas como reunião de textos poéticos. Ele funciona como dispositivo de reflexões. Mais do que versos, há aqui uma encenação da própria autoria ou, mais precisamente, da recusa de uma autoria única. Vital Sousa, Tonny Aguiar e Biu Di Braga não aparecem como heterônimos, pseudônimos ou máscaras que escondem um autor, mas como formas distintas de dizer aquilo que um só nome não conseguiria.

É justamente nesse ponto que reside sua maior força e também a tensão que atravessa a construção dos personagens e da obra.

A pseudonímia, tantas vezes confundida e questionada por editores e mediadores do mercado, face a uma suposta referência a heteronímia de Fernando Pessoa, não se apresenta aqui como artifício estético gratuito, mas como estratégia de expansão. Ao multiplicar vozes, o autor amplia também os modos de alcançar o leitor. Se, como ecoa na escolha implícita que atravessa o projeto, “todo poeta deve ir aonde alcança o seu leitor”, então dividir-se não é dispersar-se: é, antes, uma forma de fazer-se presente.

No entanto, o livro não ignora o custo dessa escolha.

Nos textos de abertura e fechamento da obra, há um claro acerto de contas com a própria poesia. Em Biu Di Braga, especialmente nos Epílogos, percebe-se o nascimento consciente de uma voz que reivindica a sua autonomia, inaugurando uma nova história, ainda que carregue em si os vestígios das outras que terminam. Em Vital Sousa, nos Prólogos e no Prefácio, a tentativa de organizar o caos, ainda que reconhecendo que esse gesto é, em si, falho. Já em Tonny Aguiar, no Posfácio intitulado O Silêncio como Escolha, encontra-se talvez o ponto mais contundente da obra: a decisão de interromper o fluxo poético.

Decisão tomada, não por esgotamento da linguagem, mas por excesso dela.

Esse posicionamento — abandonar a poesia para preservar o que ainda pode ser dito — não é novo na história literária, mas aqui ganha contornos mais profundos. A poesia, sempre apresentada como catarse, fuga e necessidade, passa a ser vista e reconhecida, também, como ruído, como procrastinação de projetos maiores, como teimosia que impede outras formas de construção narrativa.

O que se anuncia, então, não é o fim de toda poesia, mas o fim de um modo de habitá-la.

Bem no estilo de Tonny Aguiar, há algo de exagerado, até mesmo radical nessa decisão, sobretudo quando acompanhada do gesto simbólico de “queimar” os poemas restantes — transformando-os em matéria prima para outra linguagem: a Pintura. Desta forma, trata-se menos de destruição e mais de transmutação. A palavra cede lugar à imagem, o verso à narrativa, o impulso à elaboração.

Mesmo assim, o livro ainda não soa como despedida definitiva.

Pelo contrário: insistentemente nega esse lugar. Em diversos momentos, os próprios textos e poemas afirmam que não se trata de um adeus, mas de um lado, uma declaração de independência, e de outro, um recomeço cíclico, um retorno às origens. E talvez seja exatamente aí que o leitor mais atento percebe a contradição produtiva que sustenta a obra: tudo indica um fim, mas tudo também aponta para continuidade.

A poesia não desaparece — apenas transforma-se.

Passa a habitar o silêncio, como sugere o Posfácio de Tonny Aguiar, não como ausência, mas como escolha. E, nesse silêncio, permanece latente, como origem possível de tudo o que ainda virá.

Finalizando, do ponto de vista crítico, pode-se dizer que Epílogos & Prólogos não tenta resolver suas próprias tensões: e acerta ao não fazê-lo. A fragmentação ou a sobreposição de vozes e a oscilação entre manifesto e confissão não são falhas estruturais, mas parte constitutiva do projeto. No livro há, inclusive, momentos em que o excesso de autorreferência e de explicitação dos processos internos pode soar repetitivo; ainda assim, esse exagero é coerente com a proposta de expor, sem mediações, o mecanismo criativo e suas fissuras.

No final, o leitor não fica com a sensação de ter lido um livro de poemas no sentido tradicional. Fica com a impressão de ter testemunhado um Rito de Passagem.

Uma historia que termina 
Para outra começar.

ou

Uma história que termina
E outra já começada.

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