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Mostrando postagens de março, 2026

Novidade

A Taça - Uma Reflexão

Até certo ponto de sua produção, Wirveng Natham construiu uma trajetória marcada pela representação da presença. Seus personagens e paisagens afirmam identidades e revelam vínculos com a cultura e a natureza. Em A Taça , entretanto, o jovem e emergente artista realiza um movimento silencioso, porém decisivo: substitui a presença pela ausência como elemento estruturador da obra. A mudança é perceptível desde a composição. Sobre um fundo negro absoluto, poucos traços são suficientes para delinear uma taça quase transparente. Não há referências que conduzam o olhar. Tudo o que permanece é um objeto reduzido à sua essência, envolvido por um vazio que deixa de ser simples espaço negativo para assumir protagonismo. A pintura passa a existir menos pelo que mostra do que pelo que deliberadamente escolhe não mostrar. Essa inversão é reforçada pela reflexão proposta pelo próprio artista. Em vez de recorrer ao conhecido dilema entre o recipiente "meio cheio" e "meio vazio", ...

A Dança dos Macacos

AVISO! O texto a seguir não é uma Apresentação Protocolar: é uma Leitura Crítica com tensão, conceito e identidade autoral. Necessariamente porque a obra exige, porque “A Dança dos Macacos” não é ficção: é fricção. A OBRA A Dança dos Macacos não é um livro: é um curto-circuito em mentes conformistas e preguiçosas. Aqui não há compromissos com beleza, harmonia ou conservadorismo. Há uma operação deliberada de sabotagem: da linguagem, do leitor, da ideia confortável e reacionária da poesia como ornamento. O signo “macaco” historicamente usado como instrumento de violência racial, não é apenas ressignificado. Ele é explodido, repetido até a exaustão, escarrado, cuspido e esfregado na cara do leitor até perder qualquer possibilidade de neutralidade. Aqui não há sutilezas porque não há tempo. Não há metáforas elegantes porque a realidade não é elegante. O que se constrói, como verdade, é uma antiestética programada: repetição como martelo. fragmento como estilhaço. ironia como veneno, hum...

Cyrano

  Para quem tem alguma familiaridade com a Literatura e/ou o Teatro, serão imediatas as conexões com as referências para o batismo dessa Obra de Arte. Cyrano é um emblemático exemplo da “mínima intervenção”, da integração do Artista com a Natureza que fornece a matéria prima para a sua Arte. Essa peça se destaca como um “elo perdido” entre a Arte Rupestre e a Arte Naif. Seus olhos expressivos e seu nariz descomunal refutam quaisquer outros significantes para o seu batismo. Aliás, se o Nariz o batiza, os olhos representam a sua Ancestralidade: característica marcante das peças da Artista Tacilene Ferreira . Os olhos, como “janelas da alma”, ampliam a confluência com Edmond Rostand e o seu icônico personagem. Cyrano , a Escultura, como representante da realidade catingueira, trás nos olhos a dureza de quem convive com as agruras do semiárido, mas permite enxergar através deles, as belezas desse pedaço de chão que insistem em “inventar” como feio. A moral da história para esta Obra d...