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Novidade

A Taça - Uma Reflexão

Até certo ponto de sua produção, Wirveng Natham construiu uma trajetória marcada pela representação da presença. Seus personagens e paisagens afirmam identidades e revelam vínculos com a cultura e a natureza. Em A Taça , entretanto, o jovem e emergente artista realiza um movimento silencioso, porém decisivo: substitui a presença pela ausência como elemento estruturador da obra. A mudança é perceptível desde a composição. Sobre um fundo negro absoluto, poucos traços são suficientes para delinear uma taça quase transparente. Não há referências que conduzam o olhar. Tudo o que permanece é um objeto reduzido à sua essência, envolvido por um vazio que deixa de ser simples espaço negativo para assumir protagonismo. A pintura passa a existir menos pelo que mostra do que pelo que deliberadamente escolhe não mostrar. Essa inversão é reforçada pela reflexão proposta pelo próprio artista. Em vez de recorrer ao conhecido dilema entre o recipiente "meio cheio" e "meio vazio", ...

A Dança dos Macacos


AVISO!

O texto a seguir não é uma Apresentação Protocolar: é uma Leitura Crítica com tensão, conceito e identidade autoral. Necessariamente porque a obra exige, porque “A Dança dos Macacos” não é ficção: é fricção.


A OBRA

A Dança dos Macacos não é um livro: é um curto-circuito em mentes conformistas e preguiçosas. Aqui não há compromissos com beleza, harmonia ou conservadorismo. Há uma operação deliberada de sabotagem: da linguagem, do leitor, da ideia confortável e reacionária da poesia como ornamento.

O signo “macaco” historicamente usado como instrumento de violência racial, não é apenas ressignificado. Ele é explodido, repetido até a exaustão, escarrado, cuspido e esfregado na cara do leitor até perder qualquer possibilidade de neutralidade.

Aqui não há sutilezas porque não há tempo. Não há metáforas elegantes porque a realidade não é elegante. O que se constrói, como verdade, é uma antiestética programada:

  • repetição como martelo.
  • fragmento como estilhaço.
  • ironia como veneno,
  • humor como armadilha.

A linguagem não quer ser bela. Ela se apresenta e quer ser irrecusável.

Se em Arthur Rimbaud havia o “desregramento dos sentidos”, aqui há o desregramento da consciência social. Se Paulo Leminski jogava com o mínimo, Flávio Magalhães usa o mínimo como projétil. O livro não denuncia apenas o racismo. Ele é uma rajada no peito da injustiça, revelando o funcionamento cotidiano da violência: no discurso, na mídia, na omissão e, principalmente, na normalização. Cada poema é um registro de falha civilizatória. Não há catarse. Não há redenção. Há repetição porque a violência também se repete.

Ler este livro não é um ato estético. É um ato político. E como todo ato político real, ele cobra um preço: o desconforto de se reconhecer dentro do problema.

A Dança dos Macacos não é ficção: é fricção!

O AUTOR

José Flávio de Oliveira Magalhães não escreve para ser compreendido. Escreve para não ser ignorado.

Sua trajetória atravessa literatura, teatro e artes visuais sem apontar para uma busca de estilo, mas para uma insistência: dizer, repetir, insistir até que a linguagem deixe de ser confortável.

Professor de Letras por formação, mas indisciplinado por vocação, Flávio opera fora das zonas seguras da literatura institucional. Sua escrita não se submete à lapidação formal clássica: ela se organiza pela urgência. Não há preocupação em agradar. Há necessidade de expor.

Em A Dança dos Macacos, essa postura atinge o limite: o autor abandona qualquer mediação estética e assume o risco da frontalidade.

Isso cobra um preço: a crítica pode chamar de panfleto, o leitor alienado – carente de consciência de classe e letramento racial – pode recuar, o mercado pode rejeitar, mas é exatamente aí que sua força se instala. Porque sua obra não tenta resolver contradições. Ela as mantém como feridas abertas.

Se Jean-Michel Basquiat escrevia nas telas como quem risca um sistema em colapso, Magalhães escreve como quem não aceita o silêncio como alternativa. Seu trabalho não busca permanência. Busca impacto. E impacto, aqui, não é efeito. É consequência porque A Dança dos Macacos não é ficção é fricção.

RESUMO

Não há mais espaço para leitura neutra. Ou o leitor entra ou recua, mas se entrar, precisa aceitar uma condição: não sair ileso.

Porque a antiestética aqui não é um recurso. É uma escolha ética. E toda escolha ética verdadeira desestabiliza, desperta para a traumática transição da ignorância confortável para a realidade dolorosa e obriga o leitor a escolher, conscientemente, a sua verdade.

Resignificando o signo "Macacos"!

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