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Novidade

A Taça - Uma Reflexão

Até certo ponto de sua produção, Wirveng Natham construiu uma trajetória marcada pela representação da presença. Seus personagens e paisagens afirmam identidades e revelam vínculos com a cultura e a natureza. Em A Taça , entretanto, o jovem e emergente artista realiza um movimento silencioso, porém decisivo: substitui a presença pela ausência como elemento estruturador da obra. A mudança é perceptível desde a composição. Sobre um fundo negro absoluto, poucos traços são suficientes para delinear uma taça quase transparente. Não há referências que conduzam o olhar. Tudo o que permanece é um objeto reduzido à sua essência, envolvido por um vazio que deixa de ser simples espaço negativo para assumir protagonismo. A pintura passa a existir menos pelo que mostra do que pelo que deliberadamente escolhe não mostrar. Essa inversão é reforçada pela reflexão proposta pelo próprio artista. Em vez de recorrer ao conhecido dilema entre o recipiente "meio cheio" e "meio vazio", ...

As Faces de Eva - Um Ato Público, Púbico e Não Pudico



Na psicologia do desenvolvimento, a região púbica e o surgimento dos pelos pubianos marcam a travessia da infância para a puberdade. É o sinal visível de que algo amadurece, de que o corpo anuncia uma passagem irreversível rumo à maturidade sexual e simbólica. Não se trata apenas de biologia, mas de consciência: o corpo diz aquilo que a mente ainda precisa aprender a sustentar.

Na psicanálise, o púbico - esse território tantas vezes silenciado ou coberto de pudor - não possui um significado fixo ou universal. Ele emerge como imagem, sonho, associação livre. Pode representar a origem da vida, a potência criadora, a vulnerabilidade extrema ou o desejo. Seu sentido é sempre singular, inconsciente, atravessado pela história de cada sujeito. O que se cala no discurso retorna no símbolo.

É a partir dessa chave que nasce As Faces de Eva.

Este evento se afirma como "Um Ato Público, Púbico e Não Pudico" porque recusa a infantilização do debate sobre gênero, corpo, poder e responsabilidade. Assim como o amadurecimento sexual exige reconhecer o próprio corpo, o amadurecimento ético dos homens - dos chamados “machos” - exige reconhecer sua participação histórica nas estruturas de dominação, violência e silenciamento das mulheres.

Não há maturidade sem atravessamento.
Não há humanidade plena sem reconciliação.

A proposta de As Faces de Eva convoca os homens a uma analogia incômoda, porém necessária: se o corpo amadurece, por que o pensamento masculino insiste em permanecer imaturo? Se a puberdade marca a passagem para a potência reprodutiva, que maturidade marca a passagem para a responsabilidade afetiva, ética e social?

Este não é um evento contra os homens.
É um evento contra a estagnação.

Ao reunir literatura, escultura, tecnologia, testemunho e diálogo, As Faces de Eva cria um espaço onde o feminino deixa de ser objeto e passa a ser centro, linguagem e denúncia. Onde o corpo da mulher - real, simbólico e artístico - não é ocultado por pudor moralista nem exposto como mercadoria, mas reconhecido como território de memória, dor, potência e criação.

Municípios - onde tudo acontece - tornam-se o local ideal para iniciramos um “Novo Tempo”, tornam-se o espaço simbólico onde a dor histórica de tantas mulheres se encontra com a potência transformadora da arte, da tecnologia e da consciência coletiva.

Este prólogo não pede licença.
Convida à travessia.

Porque crescer dói.
Mas não crescer custa vidas.

Contextualização

Este evento reforça a importância da reconciliação entre anima e animus - as forças femininas e masculinas presentes em todo ser humano - como caminho para restaurar a humanidade plena. Homens que integram sua sensibilidade, empatia, escuta e responsabilidade afetiva tornam-se capazes de RECONHECER seu papel ético, social e emocional ao lado das mulheres. Essa integração interior é condição para romper a lógica da violência, construir masculinidades mais saudáveis e estabelecer relações baseadas em respeito, parceria e igualdade.

Nesse contexto, o lançamento conjunto de O Quintal das Acácias (Cássia Guerra) e amor.com (Vânia Costa) nasce como um gesto político-poético que une raízes e redes, ancestralidade e tecnologia, sertão e era digital: tudo isso em um momento nacional de mobilização pelos direitos das mulheres e contra a violência de gênero.

O evento entende que combater a violência contra as mulheres exige também recuperar a humanidade plena, incluindo a reconciliação entre anima e animus, para que homens reconheçam seu papel ético, social e afetivo ao lado das mulheres.

Objetivos do Evento

1. Visibilidade e Denúncia
Dar luz aos números alarmantes da violência contra as mulheres – incluindo a violência digital - e evidenciar a urgência de políticas e ações coordenadas.

2. Mobilização
Colaborar com a rede de proteção composta por: Secretaria Municipal e Estadual dos Direitos das Mulheres; Delegacia da Mulher; Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres; Instituições culturais, tecnológicas e sociais. O evento é uma proposta de ser mais um ponto de conexão para um pacto regional permanente.

3. Empoderamento Através da Arte
Reconhecer Arcoverde como polo regional de artistas, artesãs, escultoras, escritoras e criadoras, e utilizar sua força cultural para fortalecer debates, curas e reconstruções.

Nesse aspecto incluímos a Exposição de Esculturas “As Faces de Eva”, da premiada Artista Simone Souza, do Vale do Catimbau, junto com Artistas locais, trazendo o corpo, a sensibilidade e a memória artística para o centro da discussão pública.

4. Educação, Prevenção e Conscientização
Criar pontes entre literatura, tecnologia, feminismo, segurança digital e saúde emocional.

5. Humanização: a Dualidade Anima/Animus
Incentivar homens a refletirem sobre: seu papel no combate às violências, sua responsabilidade afetiva, ética e social, sua participação no processo de humanização conjunta. Porque não há sociedade justa sem homens conscientes.

Atividades Propostas

1. Palestra "Elas Estão no Comando - Empreendodorismo, Liderança & Gestão"

Em um mundo marcado por polarizações crescentes, onde a dicotomia entre modelos econômicos e sociais tem produzido mais divisões do que soluções, a palestra “Elas Estão no Comando” propõe uma reflexão urgente e necessária: a adoção do Perfil Gestor Feminino como alternativa estratégica para um futuro mais equilibrado, sustentável e humano.

Baseada em dados atualizados do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) e do Sebrae, a palestra evidencia o protagonismo das mulheres no empreendedorismo contemporâneo. No Brasil e no mundo, elas lideram milhões de negócios, demonstrando resiliência, capacidade de inovação e visão de longo prazo — mesmo diante de desafios estruturais como dificuldade de acesso a crédito, sobrecarga doméstica e desigualdades de gênero.

Mais do que discutir liderança feminina, “Elas Estão no Comando” apresenta um novo paradigma de gestão, fundamentado em valores como escuta, cooperação, ética, responsabilidade social e integração entre resultados econômicos e impacto coletivo. Casos inspiradores de gestoras brasileiras reconhecidas nacional e internacionalmente ilustram como esse modelo já está em prática e produz resultados consistentes.

A palestra se dirige a gestores, empreendedores, formuladores de políticas públicas, instituições culturais e empresas comprometidas com inovação social, propondo uma mudança de olhar: não se trata de escolher entre direita ou esquerda, mas de repensar o modo de comandar.

Apoiar “Elas Estão no Comando” é investir na difusão de uma visão contemporânea de liderança, alinhada aos desafios do século XXI e à construção de uma sociedade mais justa, colaborativa e sustentável.

2. Oficina de Produção & Marketing Literário - "Ventos do Catimbau: o Ser'tão Forte"

A Oficina tem como Objetivo Identificar, Qualificar e Publicar Novos Escritores, além de Fomentar o Reconhecimento e a Valorização das pessoas que atuam em prol do Desenvolvimento Sustentável do Semiárido, destacando a importância da Educação e da Cultura em todas as suas linguagens.

"Não somos 'bonzinhos' nem fazemos 'caridade': praticamos Economia Solidária e Marketing Social."

- Vital Sousa

Parte integrante do Projeto "Ventos do Catimbau - O Ser'tão Forte" é uma Iniciativa Independente e, eventualmente, será financiado por Politicas de Fomento à Cultura como o PNAB e a Lei Rouanet. 

Este é um Projeto de cunho "Social e Sem Fins Lucrativos". O Proponente e Realizador cede os Direitos Autorais da obra Ventos do Catimbau – O Ser’tão Forte, assim como os seus Honorários para a realização das Palestras-Oficinas constantes da iniciativa, bem como de Palestras a serem, eventualmente, realizadas em contrapartida ao levantamento de recursos para realização deste Empreendimento Social.

3. Exposição de Esculturas: “As Faces de Eva”

Obras da premiada Artista-Escultora Simone Souza, do Vale do Catimbau, inspiradas na música “Cor de Rosa-Choque” de Rita Lee — evocando as múltiplas faces, dores, potências e renascimentos da mulher. Uma instalação feita para emocionar, convocar e transformar olhares. Em Sertânia faremos uma Exposição Coletiva com Artistas da Cidade.

4. Apresentação dos Livros “O Quintal das Acácias” e “amor.com”

Cada obra será apresentada como um libelo — um documento de defesa. Vânia Costa apresenta O Quintal das Acácias: defesa da memória, da ancestralidade, da resistência feminina. Cássia Guerra apresenta amor.com: defesa do amor reumanizado e do uso ético da tecnologia contra a violência digital. Essa abordagem transforma o lançamento em ato político-cultural.

5. Partilha - Roda de Conversa: “Vozes que Sobrevivem, Vozes que resistem”

Participantes: Mulheres sobreviventes de violências, inclusive a autora de O Quintal das Acácias; A mulher real que inspirou a personagem-protagonista; A Autora de amor.com; A Escultora de “As Faces de Eva”; Especialistas em feminismo, políticas públicas, acolhimento e segurança digital; Representantes da Delegacia da Mulher, SMDH e Conselho Municipal.

6. Encerramento com Apresentação Mucical

Preferencial duplas de homem e mulher ou Grupos mistos que remetam a reunificação de Anima e Animus.

Um encontro íntimo, profundo e necessário, onde a palavra se torna cura e denúncia.

Convite aos Homens

"Ser 'homem' é bom; ser antimachista é melhor, mas combater o machismo é IMPRESCINDÍVEL!"

Somos formados em uma sociedade machista.
Aprendemos isso desde cedo: muitas vezes sem perceber.

Reconhecer essa realidade não é ataque,
é responsabilidade.

O desafio é simples e inadiável:
reconhecer nosso papel ao lado das mulheres
e conter atitudes, impulsos e comportamentos que sustentam a violência.

As Faces de Eva é um convite à escuta, à revisão e ao compromisso.

Se você entende que respeito não é favor
e igualdade não é ameaça,
este convite é para você.

Convite às Mulheres

“Quando uma mulher se levanta, não é só o corpo que ocupa espaço: 
é a história que exige voz.”

Este convite é um chamado à ação.
Às mulheres que recusam o silêncio.
Às que sabem que violência não é destino, é crime.
Às que entendem que existir com dignidade é um direito: não uma concessão.

As Faces de Eva é território de denúncia, memória e enfrentamento.
Aqui, a arte não enfeita: confronta.
A palavra não consola: mobiliza.
A presença feminina não é símbolo: é força política.

Venha ocupar.
Venha resistir.
Venha transformar.

Participe!

Cássia Silvestre Guerra, Vânia Costa, 
Tonny Aguiar & Vital Sousa

Para Participar dos Eventos "As Faces de Eva", FALE CONOSCO:

Mais Lidos da Semana

Epílogos & Prólogos

Em Epílogos & Prólogos , há algo de, deliberadamente, paradoxal: apresenta-se como abertura e encerramento, mas, ao fim da leitura, revela-se ao leitor, sobretudo, como um gesto parado no ar, uma interrupção consciente. Não uma ruptura violenta, mas uma inflexão: quase uma mudança de rumo assumida em voz alta. O livro, a partir de uma leitura crítica, não se sustenta apenas como reunião de textos poéticos. Ele funciona como dispositivo de reflexões. Mais do que versos, há aqui uma encenação da própria autoria ou, mais precisamente, da recusa de uma autoria única. Vital Sousa , Tonny Aguiar e Biu Di Braga  não aparecem como heterônimos, pseudônimos ou máscaras que escondem um autor, mas como formas distintas de dizer aquilo que um só nome não conseguiria. É justamente nesse ponto que reside sua maior força e também a tensão que atravessa a construção dos personagens e da obra. A pseudonímia, tantas vezes confundida e questionada por editores e mediadores do mercado, face a uma ...

Abraço da Natureza

Em Abraço da Natureza , Wirveng Nathan nos convida a desacelerar e a reencontrar aquilo que frequentemente esquecemos na vida contemporânea: a paz nasce quando reconhecemos que fazemos parte da paisagem e não quando tentamos nos colocar acima dela. Nesta obra, Nathan transforma a paisagem em abrigo espiritual. O horizonte amplo, as colinas suaves e o céu luminoso criam um cenário de serenidade que convida à pausa e à contemplação. Mais do que representar um lugar, o artista revela uma relação profunda de pertencimento com o território onde construiu sua identidade. As pequenas figuras espalhadas pelo campo — caminhando de mãos dadas, brincando ou simplesmente repousando — reforçam essa ideia de conexão. Diante da vastidão da paisagem, o ser humano aparece em escala reduzida, lembrando que a verdadeira grandeza não está no domínio da natureza, mas na capacidade de viver em harmonia com ela. O sol que ilumina a cena, o céu aberto, as nuvens em movimento, as colinas e a vegetação que oc...

Flores Noturnas

Assim como existem flores que escolhem o dia e outras aguardam a chegada da noite, em Flores Noturnas , Wirveng Nathan nos conduz a um espaço onde a escuridão não representa ausência, mas possibilidade. O fundo profundo que envolve a composição não sufoca as formas; torna-se o ambiente onde elas encontram condições para existir e florescer. A natureza sempre encontra um caminho e algumas espécies parecem compreender esse segredo. O mandacaru, a dama-da-noite e a flor-da-lua revelam sua plenitude quando a luz diminui. A noite, que poderia sugerir recolhimento, transforma-se em território de encontro. Morcegos, mariposas e outros seres noturnos participam silenciosamente desse ciclo, renovando a vida e estabelecendo relações invisíveis aos olhos apressados. Talvez seja essa a delicada força que atravessa a pintura. As flores surgem como presenças que não disputam espaço com a escuridão. Habitam-na e encontram nela sua própria forma de permanência. Na tela, nada é definitivo para o olhar...