Sinopse O Ponto dos Contos – Crônicas Improváveis reúne histórias bem-humoradas, irreverentes e surpreendentes que despertam aquilo que existe de mais espontâneo nas pessoas: o riso. Em tempos marcados pelo excesso de estresse, ansiedade e excesso de informações, a literatura também pode ser uma ferramenta de bem-estar. Cada página foi escrita para proporcionar momentos leves, divertidos e capazes de arrancar boas gargalhadas. Porque sorrir faz bem. E quando o sorriso aparece, ele merece ser bonito. É justamente nesse ponto que a literatura encontra a odontologia: enquanto o livro desperta o sorriso, os profissionais da saúde bucal cuidam para que ele seja saudável, bonito e duradouro. O Direito de Ser Estranho (Apresentação) Em um mundo obcecado pela produtividade e pela padronização do comportamento, vivemos em uma época particularmente inclinada a transformar diferenças, desconfortos e comportamentos incomuns em explicações rápidas. É o império do diagnóstico instantâneo: aquele qu...
O livro, a Árvore e a Contradição Digital
A polêmica provocada por Tamara Klink ao pedir que os leitores não comprassem seu livro trouxe uma discussão importante, embora rapidamente reduzida a uma disputa entre defensores e críticos do papel. É verdade que a indústria papeleira utiliza, em grande parte, madeira proveniente de florestas plantadas de eucalipto e pinus. Portanto, não é correto imaginar que cada livro produzido represente simplesmente uma árvore retirada de uma floresta nativa. Mas também seria simplista transformar uma plantação industrial em sinônimo de floresta. Monoculturas extensivas podem produzir impactos sobre biodiversidade, água, solo e organização do território. No Extremo Sul da Bahia, por exemplo, a expansão do eucalipto é objeto de estudos e debates relacionados à concentração fundiária, à redução de áreas destinadas à agricultura e às transformações na vida econômica e social de comunidades rurais. O problema, portanto, não está simplesmente na existência do eucalipto, mas no modelo, na escala e nas condições em que essa atividade é desenvolvida.Por outro lado, imaginar que o livro digital seja automaticamente uma alternativa ambientalmente superior também é uma simplificação. O e-book dispensa papel, tinta, impressão e parte do transporte físico, mas depende de dispositivos eletrônicos, servidores, redes de comunicação e energia. Dependendo do equipamento, de sua vida útil e da quantidade de livros lidos, essa equação ambiental pode mudar. O livro físico, por sua vez, possui uma característica extraordinária: pode circular. Pode ser comprado, lido, emprestado, vendido, doado, guardado numa biblioteca, relido e transmitido a outra geração. Um único exemplar pode cumprir sua função muitas vezes. Talvez, portanto, a pergunta mais importante não seja simplesmente “papel ou digital?”, mas como produzir, utilizar e fazer circular um livro de maneira mais consciente?
É a partir dessa perspectiva que decidi pensar a próxima edição de O Ponto dos Contos – Crônicas Improváveis. A proposta é produzir uma Edição Limitada de exemplares físicos, simultaneamente ao lançamento da versão digital, mantendo também a possibilidade de impressão sob demanda. Não se trata de afirmar que o livro físico é sustentável por natureza, muito menos de transformar a sustentabilidade em argumento publicitário. Trata-se de uma escolha editorial consciente: evitar uma produção física maior do que a necessária, valorizar a permanência e a circulação dos exemplares e, ao mesmo tempo, oferecer ao leitor diferentes formas de acesso à obra. A sustentabilidade, nesse caso, não aparece como uma promessa absoluta, mas como mais um atributo de valor da edição — construído a partir de uma decisão equilibrada sobre produção, consumo e circulação.
No fim, talvez a sustentabilidade do livro não caiba numa escolha binária entre árvore e tela. Ela está na cadeia inteira: de onde vem a matéria-prima, como ela é produzida, quanto se imprime, como se transporta, quanto tempo o exemplar permanece em uso e o que acontece depois. O livro físico tem custos ambientais; o livro digital também. O papel pode ser produzido de maneira responsável e circular durante décadas; o digital pode reduzir determinados impactos materiais, mas depende de uma complexa infraestrutura tecnológica. Por isso, mais do que escolher um formato e proclamá-lo sustentável, precisamos compreender as consequências de nossas escolhas. E talvez seja justamente aí que a literatura encontre uma de suas formas mais bonitas de sustentabilidade: fazer cada livro durar para além de seu primeiro leitor.

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