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Novidade

O Ponto dos Contos: Crônicas Improváveis

Sinopse O Ponto dos Contos – Crônicas Improváveis reúne histórias bem-humoradas, irreverentes e surpreendentes que despertam aquilo que existe de mais espontâneo nas pessoas: o riso. Em tempos marcados pelo excesso de estresse, ansiedade e excesso de informações, a literatura também pode ser uma ferramenta de bem-estar. Cada página foi escrita para proporcionar momentos leves, divertidos e capazes de arrancar boas gargalhadas. Porque sorrir faz bem. E quando o sorriso aparece, ele merece ser bonito. É justamente nesse ponto que a literatura encontra a odontologia: enquanto o livro desperta o sorriso, os profissionais da saúde bucal cuidam para que ele seja saudável, bonito e duradouro. O Direito de Ser Estranho (Apresentação) Em um mundo obcecado pela produtividade e pela padronização do comportamento, vivemos em uma época particularmente inclinada a transformar diferenças, desconfortos e comportamentos incomuns em explicações rápidas. É o império do diagnóstico instantâneo: aquele qu...

Ventos do Catimbau - Vanda Kapinawá


A homenagem a Vanda Kapinawá, presente no Livro Ventos do Catimbau: o Ser'tão Forte, de Tonny Aguiar e Biu Di Braga — que será base para Oficinas e Palestras do Projeto homônimo de formação de novas vozes sertanejas — é um ato de reconhecimento. Não apenas a uma mulher, mas a uma linhagem de luta.

Os Homenageados no Livro e no Projeto são seis mulheres e um homem que, acima do gênero são pessoas, e com suas condutas e trajetórias merecem o "Reconhecimento". Não, apenas, pela luta de uma vida, mas pela luta de um Povo: é "Reconhecimento" pela luta de Todos; pelos Direitos de Todos ao Respeito e à Existência Pacífica, porque somos todos iguais, mesmo "diferentes"; porque temos uma ancestralidade única como "Seres Humanos"!

O "Reconhecimento" é para "quem levanta a voz" em nome de Todos!

Acredite no que você acreditar, eu acredito na Energia, na Força da Natureza, da qual faço parte, mesmo sem, ainda, entender, completamente, o meu papel no contexto do “Útero Cósmico” do Planeta e com a consciência de que a Terra não é o lugar onde vivo, mas um organismo do qual faço parte, mas isso é outra história que pretendo contar enquanto estiver aqui.

Quando bate a força bruta,
Apanha quem fica calado;
Mas há quem levanta a voz
E faz do direito seu brado;
Não desmerece o algoz,
Enquanto afia o seu forcado.

Na soma de todos os lados
Temos um quadrado perfeito,
Mas quem nega os tratados,
Só pratica o desrespeito:
Amanhã será espancado
Pelo equilíbrio desfeito;

Quando bate a força bruta,
Apanha quem fica calado;
Quem luta por seus direitos
Eu reconheço e respeito.

Vanda Kapinawá — Guardiã da Terra, Voz do Povo - filha da Aldeia Ponta da Várzea, no território Kapinawá, no Vale do Catimbau. Vanda Moura Gonçalves é herdeira direta das lutas por território e cultura travadas por seus parentes próximos, que enfrentaram a força bruta do esquecimento para garantir o direito de existir como povo originário. A voz de Vanda não se calou. 

Ela ecoou pelos sertões, e para além de suas fronteiras, como eco ancestral, afirmando saberes, práticas e valores que o tempo tentou apagar. Doutora raiz, fitoterapeuta, iridologista, apicultora, educadora e mãe, ela não apenas preserva a cultura Kapinawá — ela a cultiva, alimenta e distribui como quem reparte pão sagrado com a comunidade.

Sua empresa Regando Alimentação Viva é um projeto de vida, mas também de resistência. Com sucos verdes, folhas medicinais, sementes e sabedoria, ela oferece não apenas nutrição, mas reconexão. Cada oficina, uma aula de pertencimento. Cada palestra, uma reafirmação de identidade.

A história do povo Kapinawá foi marcada pela negação de tratados e pela tentativa de apagamento cultural. Mas a luta dos ancestrais de Vanda — e agora dela mesma — recompõe esse “quadrado perfeito” da justiça e da dignidade.
Ela é mestra dos saberes da terra e do corpo, defensora incansável da alimentação segura, saudável e consciente. Mas mais que isso: é uma semente viva do Sertão que não se deixou arrancar.

Por isso, o Projeto Ventos do Catimbau reconhece em Vanda Kapinawá um farol. Porque sua luta vai além do individual: é pelo seu povo, pela memória, pelo direito à existência em paz, com suas raízes fincadas fundo no chão da Caatinga e os braços abertos para ensinar o mundo.

“Sou guerreira e não desisto nunca”, diz ela.

E no que depender da sua voz, das suas ervas e da sua luz — a cultura Kapinawá seguirá viva, vibrante e inteira.


Tonny Aguiar
CoAutor


Imagens: Acervo particular dos Homenageados

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