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Novidade

As Faces de Eva - Um Ato Público, Púbico e Não Pudico

Na psicologia do desenvolvimento, a região púbica e o surgimento dos pelos pubianos marcam a travessia da infância para a puberdade. É o sinal visível de que algo amadurece, de que o corpo anuncia uma passagem irreversível rumo à maturidade sexual e simbólica. Não se trata apenas de biologia, mas de consciência: o corpo diz aquilo que a mente ainda precisa aprender a sustentar. Na psicanálise, o púbico - esse território tantas vezes silenciado ou coberto de pudor - não possui um significado fixo ou universal. Ele emerge como imagem, sonho, associação livre. Pode representar a origem da vida, a potência criadora, a vulnerabilidade extrema ou o desejo. Seu sentido é sempre singular, inconsciente, atravessado pela história de cada sujeito. O que se cala no discurso retorna no símbolo. É a partir dessa chave que nasce As Faces de Eva. Este evento se afirma como "Um Ato Público, Púbico e Não Pudico" porque recusa a infantilização do debate sobre gênero, corpo, poder e responsabil...

O Anjo Avesso


Uma tarde inteira e parte de uma noite vivendo uma cena clássica de desenho animado: o personagem diante de um dilema, num interlóquio com o um anjinho e um diabinho que, acaloradamente, aconselham atitudes a serem tomadas. No caso, eu, depois de um encontro casual com uma – por questões de segurança nacional chamarei de Anjo – pessoa das minhas relações eventuais – que bem poderia chamar de Diabinho – em pleno horário de almoço num restaurante, estando me refastelando com uma generosa porção de macaxeira com galinha guisada. Meu dilema é resolvido no final da noite, escutando, insistentemente, os chamados de Morfeu, quando num sobressalto lembro uma frase de Lacan: “A verdade só pode ser dita nas malhas da ficção”. Salvo pelo gongo, deixo de lado o diabinho e o anjinho e me entrego à imaginação de uma crônica para dizer “verdades”.

Um encontro casual que conectou minha mente com uma rede de sinapses neuronais, disparando uma avalanche de memórias midiáticas com a figura do Anjo.

Acostumado a vê-la em eventos e através das telas dos dispositivos eletrônicos, sempre com a sua melhor versão Executiva-Artista Multimídia–Feminista-Engajada, encontrá-la “travestida” de um ser normal como eu, mero mortal, foi uma agradável surpresa: um desses momentos ao acaso de pura alegria, como um encontro de um fã com seu artista favorito. O momento me faz lembrar uma frase atribuída a Guimarães Rosa que diz que "a alegria só ocorre em raros momentos de distração". Logo eu, com a agenda controlada, calculando a conexão de variáveis e administrando o tempo de forma cartesiana, me deparo com a ideia de que a alegria e até mesmo a felicidade – momentos felizes – são encontradas em momentos ao acaso, sem planejamento: momentos de pura distração.

Memórias à parte, para não derramar uma avalanche de verdades que envolveriam terceiros, a vontade era de levantar e dar-lhe um abraço, para poder examinar suas supostas asas, mas permaneci sentado, tergiversando com uma conversa meio sem pé nem cabeça, e me sentindo como uma centopeia - cheio de pernas – não levantei para não dar o vexame de tropeçar e cair em seus braços.

Por dentro, eu gargalhava com os meus eus, mastigando lentamente a macaxeira com galinha guisada, para extrair todo o sabor desta iguaria, enquanto decantava um mar de memórias para flutuar num céu de estrelas rabiscadas com giz. No entorno, a vida seguia o seu rumo – como sempre faz – alheia aos pensamentos de quem vive.

Desperto dos meus pensamentos para uma despedida formal com perspectiva de um eventual futuro encontro. No próximo eu estarei preparado ou não!


Vital Sousa
O Ponto dos Contos e Crônicas Improváveis - No Prelo. Quatro Editora.

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Petit Pois

Petit Pois é puro contraste. Em contraste com sua estatura é uma gigante em referências que desafiam a lógica e vai ao encontro da confluência cósmica de Nêgo Bispo, deslizando no fluído cósmico universal, defendido pelos espíritas. À primeira vista, reconheci a centauro fêmea Hileia – na mitologia grega, deusa menor da fertilidade e da vegetação – e com a visão mais apurada, me fez lembrar Marilyn Monroe e Eva Mendes – famosas atrizes hollywoodianas – por causa de um “pequeno detalhe: a pinta na bochecha esquerda. Reza a lenda que pessoas que têm pintas assim, apreciam a boa comida, são generosos e sabem apreciar as coisas boas da vida. Como já disse, puro contraste. Todas essas referências no meio da Caatinga Pernambucana, podem parecer meras abstrações, mas para quem conhece e ama o Sertão é puro reconhecimento, pois Petit Pois é, literalmente, a confirmação de que “a arte não é para solucionar ou decorar, mas para sobreviver” e, como diz Fernando Pessoa, “a arte é uma confiss...

Desejos

Desejos é um resumo do estilo expressionista de Cicero Souza que mistura escultura, modelagem e marchetaria para compor uma representação tridimensional de uma angústia. Ao vê-la, torna-se inseparável da Obra, o pensamento de um preceito Budista: “Não deseje, não sofra." Essa visão é corroborada pela composição da Obra: a peça que representa os grilhões que prendem as pernas da figura humana, é totalmente livre, mostrando aos incautos que a “prisão” está, apenas, na mente do ser humano, podendo o mesmo libertar-se na hora que bem “desejar”; mas se desejar continuar preso, que o faça de forma consciente. Desejos: escultura (40x18x30), em madeira de Umburana, do Artista Cícero Souza, do Vale do Catimbau. Lado Direito Costas Lado Esquerdo Certificado de Autenticidade: TG202411020002PU da Tonny Galeria . Para Comprar fale com o Tonny