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Novidade

A Taça - Uma Reflexão

Até certo ponto de sua produção, Wirveng Natham construiu uma trajetória marcada pela representação da presença. Seus personagens e paisagens afirmam identidades e revelam vínculos com a cultura e a natureza. Em A Taça , entretanto, o jovem e emergente artista realiza um movimento silencioso, porém decisivo: substitui a presença pela ausência como elemento estruturador da obra. A mudança é perceptível desde a composição. Sobre um fundo negro absoluto, poucos traços são suficientes para delinear uma taça quase transparente. Não há referências que conduzam o olhar. Tudo o que permanece é um objeto reduzido à sua essência, envolvido por um vazio que deixa de ser simples espaço negativo para assumir protagonismo. A pintura passa a existir menos pelo que mostra do que pelo que deliberadamente escolhe não mostrar. Essa inversão é reforçada pela reflexão proposta pelo próprio artista. Em vez de recorrer ao conhecido dilema entre o recipiente "meio cheio" e "meio vazio", ...

Ventos do Catimbau - Elisângela Feitosa



A Homenagem à Educadora Elisangela Feitosa, que integra o Livro Ventos do Catimbau: o Ser'tão Forte, de Tonny Aguiar e Biu Di Braga, que será a base do Material didático para as Palestras e Oficinas do Projeto homônimo que tem como objetivo identificar, qualificar e publicar as novas safras de escritores do Sertão, é mais do que merecida: é uma forma de reconhecer as atividades dessa "Azougue-Mulher" que vão além das suas responsabilidades como professora.

Elisângela Feitosa além de ser uma mulher plural é uma Ativista Ambiental e entusiasta dos Esportes de Contemplação. Suas atividades ligadas ao Vale do Catimbau, à Caatinga e outros Biomas, sem sombra de dúvidas a faz representante dos objetivos do Projeto Ventos do Catimbau no que tange ao desenvolvimento econômico e socioambiental.

Os Homenageados no Livro e no Projeto são seis mulheres e um homem que, acima do gênero são pessoas, e com suas condutas e trajetórias merecem o "Reconhecimento". Não, apenas, pela luta de uma vida, mas pela luta de um Povo: é "Reconhecimento" pela luta de Todos; pelos Direitos de Todos ao Respeito e à Existência Pacífica, porque somos todos iguais, mesmo "diferentes"; porque temos uma ancestralidade única como "Seres Humanos"!

O "Reconhecimento" é para "quem levanta a voz" em nome de Todos!

Acredite no que você acreditar, eu acredito na Energia, na Força da Natureza, da qual faço parte, mesmo sem, ainda, entender, completamente, o meu papel no contexto do “Útero Cósmico” do Planeta e com a consciência de que a Terra não é o lugar onde vivo, mas um organismo do qual faço parte, mas isso é outra história que pretendo contar enquanto estiver aqui.

No fundo do poço
Está o impulso;

No pulso, o esforço,
Controla convulso;

Olhando pro alto,
O medo é expulso;
O segredo do salto
É querer, à pulso.

Com este poema, do parceiro Tonny Aguiar, homenageamos uma cabocla de fibra, dessas que não se encontram todo dia: Elisângela Feitosa, pernambucana da cana caiana, natural de Recife, e Alagoana por profissão é um ser “encantado”, como os que a guiam, incorporado num azougue em forma de mulher. É força e ao mesmo tempo delicadeza do metal líquido que permite a adaptação instantânea para vencer às durezas da vida.

Formada em Administração e licenciada em Educação Física, carrega na sacola do saber uma penca de especializações: Educação Física Escolar, Psicomotricidade, Neuroaprendizagem com Práticas Pedagógicas e Transtornos do Neurodesenvolvimento com foco no Autismo. Mas é como mãe de Raissa e Maria que ela mais se doutora na arte de cuidar.

Apreciadora das artes e da cultura, mulher das matas e dos bichos, Zanza — como é conhecida — não para. E se o apelido parece ironia, é só porque “zanzar” é o que ela menos faz. Tempo de descanso? Só se for pra carregar pedra, cuidar de bicho, ou plantar alguma esperança no mundo.

Seu passatempo é missão: mantém um abrigo pra cães e gatos recolhidos das ruas, esperando um lar de verdade. E faz isso com o sorriso de quem carrega o mundo nos braços e ainda sobra abraço pros que estão caídos.

Foi assim, de forma tão natural quanto o vento que passa pelas pedras do Catimbau, que nos reconhecemos. Bastou meia conversa pra gente contar os segredos de menino, como se o tempo tivesse voltado pra infância, e ali, nascia uma amizade antiga em corpos de hoje.

Modéstia às favas, posso dizer que com essa biografia, nossa identificação foi à primeira vista. Mal iniciamos uma conversa e já revelamos segredos de nossas infâncias, que nos aproximaram e ela se tornou um dos “novos amigos de infância”.

Foi, exatamente, para atender a pedidos desses novos amigos de infância que a série de poemas Ventos do Catimbau transformou-se em livro e expandiu-se para o Projeto homônimo agregando uma serie de objetivos ligados às artes e à sustentabilidade socioambiental. O Projeto Ventos do Catimbau tem um objetivo tão plural como esse Azougue-Mulher que homenageia.

Poeticamente, em um dos poemas compostos no Catimbau pelo meu parceiro Tonny Aguiar, ele diz “o ferro no meu sangue floresceu”, agora, misturado ao mercúrio do sangue de Zanza, o Azougue-Mulher, formam o amálgama da nossa amizade.

Além dos fatos motivadores para nossa amizade, minha homenagem prende-se, também, às ligações de Zanza com o Vale do Catimbau, como Ativista Ambiental, Guia e adepta das Artes Mateiras e dos Esportes de Contemplação, ela representa a Persona de toda e qualquer iniciativa de Desenvolvimento Sustentável no vale do Catimbau. Alguém que ama essa terra, tanto quanto os seus povos originários, e que luta, com eles, para proteger e preservar.

A luta para esse Azougue-Mulher é rotina, prática do dia-a-dia, com a coragem e determinação de quem vence a si mesmo, todos os dias, com altruísmo, para trabalhar em prol do bem comum. Zanza expressa em ação o aforismo que justifica as homenagens do Projeto Ventos do Catimbau – O Sertão Forte: “O Reconhecimento é para quem levanta a voz em nome de todos.”

E como toda história termina para outra começar, traduzirei os versos do parceiro Tonny para a minha forma de escrever o Cordel:

No fundo do poço,
É que o corpo se lança;
Do pulso, o esforço
Desprega a esperança.

Olhar pro alto
É expulsar o receio;
O segredo do salto
É querer por inteiro.

Pois quero, por inteiro, que este ser encantado consiga alcançar tudo que sonha quando olha para o alto.


Biu Di Braga
CoAutor


Imagens: Acervo Particular dos Homenageados

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