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Novidade

A Taça - Uma Reflexão

Até certo ponto de sua produção, Wirveng Natham construiu uma trajetória marcada pela representação da presença. Seus personagens e paisagens afirmam identidades e revelam vínculos com a cultura e a natureza. Em A Taça , entretanto, o jovem e emergente artista realiza um movimento silencioso, porém decisivo: substitui a presença pela ausência como elemento estruturador da obra. A mudança é perceptível desde a composição. Sobre um fundo negro absoluto, poucos traços são suficientes para delinear uma taça quase transparente. Não há referências que conduzam o olhar. Tudo o que permanece é um objeto reduzido à sua essência, envolvido por um vazio que deixa de ser simples espaço negativo para assumir protagonismo. A pintura passa a existir menos pelo que mostra do que pelo que deliberadamente escolhe não mostrar. Essa inversão é reforçada pela reflexão proposta pelo próprio artista. Em vez de recorrer ao conhecido dilema entre o recipiente "meio cheio" e "meio vazio", ...

Vitalogia - Crítica de Leitora



Leitura Alfa, Leitura Beta e Leitura Crítica são Etapas na produção de um Livro. Etapas importantes antes de chegar às Livrarias para a "prova final" com os Leitores. Tenho defendido que a Escrita deve ser Livre - contrapondo com a chamada Escrita Criativa - ou como está definido no Programa Escritor Efetivo, a Escrita deve ser (In)Criativa. Ela deve representar o "Algo a Dizer" de cada Autor de forma Livre, Espontânea, Original, Instigante, "Desarmada" de quaisquer artifícios, técnicas ou regras de Escrita Formal e até mesmo da Norma Culta da Língua.

No Programa, sustento essa argumentação, lastreada numa frase do Psicologo Americano Abraham Maslow - o inventor da Pirâmide das Necessidades - que diz:

"O homem criativo não é um homem comum ao qual se acrescentou algo. O homem criativo é o homem comum do qual nada se tirou"

Para fechar a discussão, utilizo um haicai do Poeta e Escritor Tonny Aguiar - um dos meus parceiros na obra em questão nesta postagem: Vitalogia - que de forma metrificada diz:

"Não por acaso;
Onde tudo for raso;
Transborde alma."

Tudo isso não teria a menor importência, o menor significado se não alcançasse o seu objetivo: despertar no leitor o amor, a paixão, o tesão - pois como diz o Psiquiata Brasleiro Roberto Freire, "Sem tesão não há solução" - pela leitura e consequentemente pela própria Escrita... Penso que assim se faz novos Leitores e novos Escritores.

A confirmação das minhas convicções vem através de uma "Resenha", ou "Resumo", ou "Comentário" que chamo simplesmente de "Crítica" - em todas as suas acepções - que recebo de uma Leitora que, também é Escritora e Poetisa.

Então sem mais "arrudêios" , como diz o Estimado Biu Di Braga - outro parceiro em Vitalogia - vamos às palavras da "nossa" Leitora.

Vital Sousa
Escritor - Editor
Quatro Editora


Vitalogia - Critica Literária 

por Magda Golçalves Militão

Em mim cabem muitas vidas. Umas assinam, outras se escondem no nome, outras apenas passam. Eu sigo vivendo, vitalogiando, uma vida só, por dentro de todas.

Nesse ritmo, o que se desdobra em Vitalogia - Coletânea de Crônicas e Poemas do Quarteto de Poetas-Escritores Vital Sousa, Tonny Aguiar, Biu Di Braga e Vitor Sales, postumamente - é uma escrita, onde crônicas e poemas se cruzam para dizer a vida a partir de dentro. Sua força está justamente nesse trânsito, múltiplas vozes, uma mesma vida sendo vivida. As vozes não aparecem isoladas; elas se alternam e emergem conforme o próprio texto pede.

A escrita costuma se sustentar primeiro num eixo que afirma a permanência, é esse eixo que mantém tudo unido. A partir dele, a obra se permite sentir. No desejo, no amor, na ausência que explode, é onde o texto toca mais diretamente o sensível, com o afeto em primeiro plano. A força dos poemas e das crônicas se manifesta aí como experiência vivida, não como explicação.

Em seguida, surge a voz do questionamento e do conflito interno. A voz da reflexão existencial tensiona, pensa e confronta a consciência, não para resolver, mas para sustentar a complexidade do existir.

Por fim, a escrita retorna ao cotidiano. Pelo olhar do dia a dia, habitam as crônicas e poemas da sobrevivência diária, cenas simples, humor sutil, gestos mínimos. Esse chão humano é a respiração da obra, onde a vida continua apesar de tudo.

Assim, a Vitalogia não explica a existência. Ela acompanha. Oferece reconhecimento, não respostas.


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Em Epílogos & Prólogos , há algo de, deliberadamente, paradoxal: apresenta-se como abertura e encerramento, mas, ao fim da leitura, revela-se ao leitor, sobretudo, como um gesto parado no ar, uma interrupção consciente. Não uma ruptura violenta, mas uma inflexão: quase uma mudança de rumo assumida em voz alta. O livro, a partir de uma leitura crítica, não se sustenta apenas como reunião de textos poéticos. Ele funciona como dispositivo de reflexões. Mais do que versos, há aqui uma encenação da própria autoria ou, mais precisamente, da recusa de uma autoria única. Vital Sousa , Tonny Aguiar e Biu Di Braga  não aparecem como heterônimos, pseudônimos ou máscaras que escondem um autor, mas como formas distintas de dizer aquilo que um só nome não conseguiria. É justamente nesse ponto que reside sua maior força e também a tensão que atravessa a construção dos personagens e da obra. A pseudonímia, tantas vezes confundida e questionada por editores e mediadores do mercado, face a uma ...

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Em Abraço da Natureza , Wirveng Nathan nos convida a desacelerar e a reencontrar aquilo que frequentemente esquecemos na vida contemporânea: a paz nasce quando reconhecemos que fazemos parte da paisagem e não quando tentamos nos colocar acima dela. Nesta obra, Nathan transforma a paisagem em abrigo espiritual. O horizonte amplo, as colinas suaves e o céu luminoso criam um cenário de serenidade que convida à pausa e à contemplação. Mais do que representar um lugar, o artista revela uma relação profunda de pertencimento com o território onde construiu sua identidade. As pequenas figuras espalhadas pelo campo — caminhando de mãos dadas, brincando ou simplesmente repousando — reforçam essa ideia de conexão. Diante da vastidão da paisagem, o ser humano aparece em escala reduzida, lembrando que a verdadeira grandeza não está no domínio da natureza, mas na capacidade de viver em harmonia com ela. O sol que ilumina a cena, o céu aberto, as nuvens em movimento, as colinas e a vegetação que oc...

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Assim como existem flores que escolhem o dia e outras aguardam a chegada da noite, em Flores Noturnas , Wirveng Nathan nos conduz a um espaço onde a escuridão não representa ausência, mas possibilidade. O fundo profundo que envolve a composição não sufoca as formas; torna-se o ambiente onde elas encontram condições para existir e florescer. A natureza sempre encontra um caminho e algumas espécies parecem compreender esse segredo. O mandacaru, a dama-da-noite e a flor-da-lua revelam sua plenitude quando a luz diminui. A noite, que poderia sugerir recolhimento, transforma-se em território de encontro. Morcegos, mariposas e outros seres noturnos participam silenciosamente desse ciclo, renovando a vida e estabelecendo relações invisíveis aos olhos apressados. Talvez seja essa a delicada força que atravessa a pintura. As flores surgem como presenças que não disputam espaço com a escuridão. Habitam-na e encontram nela sua própria forma de permanência. Na tela, nada é definitivo para o olhar...