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Novidade

A Taça - Uma Reflexão

Até certo ponto de sua produção, Wirveng Natham construiu uma trajetória marcada pela representação da presença. Seus personagens e paisagens afirmam identidades e revelam vínculos com a cultura e a natureza. Em A Taça , entretanto, o jovem e emergente artista realiza um movimento silencioso, porém decisivo: substitui a presença pela ausência como elemento estruturador da obra. A mudança é perceptível desde a composição. Sobre um fundo negro absoluto, poucos traços são suficientes para delinear uma taça quase transparente. Não há referências que conduzam o olhar. Tudo o que permanece é um objeto reduzido à sua essência, envolvido por um vazio que deixa de ser simples espaço negativo para assumir protagonismo. A pintura passa a existir menos pelo que mostra do que pelo que deliberadamente escolhe não mostrar. Essa inversão é reforçada pela reflexão proposta pelo próprio artista. Em vez de recorrer ao conhecido dilema entre o recipiente "meio cheio" e "meio vazio", ...

Tiago Delira - Exposição InspiraSer'tão

 

Tiago Correia de Lira ou, simplesmente, Delira, é natural de Petrolândia, PE, tendo feito sua estreia no mundo no dia 16 de julho de 1988. Filho de uma Costureira e um Carpinteiro, Dona Dalgiza e seu Félix. A Família migrou para São Paulo, SP, onde Delira construiu sua formação acadêmica. Formou-se primeiramente em Técnico em Design de Interiores em 2013, pelo Centro Paula Souza ETEC e logo em seguida ingressou na graduação de Licenciatura em Artes Visuais, no Centro Universitário UniFAAT, na cidade de Atibaia, SP, concluindo em 2018. Foi neste período que seu interesse pela representatividade do corpo foi incorporado à sua trajetória a partir da pesquisa científica para o seu TCC – Trabalho de Conclusão de Curso, onde abordou o tema Tatuagem no Contexto Contemporâneo.

Além da formação acadêmica e da pesquisa de campo na graduação, frequentou, paralelamente, o Curso de Tatuagem Artística na Escola Lado B de arte para tatuadores, reforçando seus conhecimentos no campo artístico e da Modificação Corporal. Sua trajetória artística tem início com a participação na Exposição Coletiva na Galeria Incubadora de Artistas em Atibaia, na mostra Retrahere em 2016.

Histórico Artístico

Exposições Coletivas
II BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE GAIA, em Nova Gaya, Portugal, na Exposição “PAND'ARTECOBRAS – Panorama de Arte Contemporânea Brasileira”, 2017;

INCUBADORA DE ARTISTAS, Atibaia SP, Exposição “(IN)Possibilidades”, 2017;

INCUBADORA DE ARTISTA, Exposição “Retrahere”, 2016;

Exposição Individual

GALERIA INK, Galeria do Rock, São Paulo, SP, Exposição “A Diversidade é linda”, 2018.

Prêmio

Prêmio Aquisição no SAV – Salão de Artes de Vinhedo, 2017.

Entre muitas exposições, performances e modificações corporais de um início de carreira brilhante e vitorioso, Tiago Delira descobriu que “a resposta para qualquer pergunta é o amor”.

A última, no sentido de atualidade, "modificação corporal" de Tiago Delira, é uma metamorfose: um ciclo fechado de transformações em nome do amor. Em sua Diáspora Reversa, vindo ao reencontro da sua amada após 20 anos sem contatos, redescobre as suas raízes com as quais se eleva através de uma nova fase da sua Arte. Do Movimento Freak à Temática Regionalista e Expressão Figurativa, Delira delira com suas memórias afetivas traduzidas para a tela com cores fortes e o traço expressivo, transmitindo emoções em suas narrativas visuais na Exposição InspiraSer’tão – Imagens de um Cotidiano Resiliente. A beleza árida do sertão ganha cor, textura e poesia nas telas que retratam o cotidiano do Sertão: as durezas e delícias de uma vida cheia de fé, esperança e histórias.

A Vernissage da Exposição InspiraSer’tão, uma celebração artística do cotidiano sertanejo — seus rostos, ritos e paisagens, onde serão homenageadas personalidades que representam a gente do Sertão, acontecerá no próximo dia 30 de abril de 2025..

Não deixe de compartilhar da arte que brota da terra rachada, do olhar firme e do gesto simples de um povo que reinventa a esperança a cada dia. Com cores que narram e pincéis que sentem, o sertão vai se revelar diante dos seus olhos.


Vital Sousa
Tonny Galeria


Serviço

Data: 30 de Abril de 2025
Hora: 17 hs
Local: Biblioteca Graciliano Ramos
Av. Jonas Camelo de Almeida, 250, Buíque, PE.

Mais Lidos da Semana

Epílogos & Prólogos

Em Epílogos & Prólogos , há algo de, deliberadamente, paradoxal: apresenta-se como abertura e encerramento, mas, ao fim da leitura, revela-se ao leitor, sobretudo, como um gesto parado no ar, uma interrupção consciente. Não uma ruptura violenta, mas uma inflexão: quase uma mudança de rumo assumida em voz alta. O livro, a partir de uma leitura crítica, não se sustenta apenas como reunião de textos poéticos. Ele funciona como dispositivo de reflexões. Mais do que versos, há aqui uma encenação da própria autoria ou, mais precisamente, da recusa de uma autoria única. Vital Sousa , Tonny Aguiar e Biu Di Braga  não aparecem como heterônimos, pseudônimos ou máscaras que escondem um autor, mas como formas distintas de dizer aquilo que um só nome não conseguiria. É justamente nesse ponto que reside sua maior força e também a tensão que atravessa a construção dos personagens e da obra. A pseudonímia, tantas vezes confundida e questionada por editores e mediadores do mercado, face a uma ...

Abraço da Natureza

Em Abraço da Natureza , Wirveng Nathan nos convida a desacelerar e a reencontrar aquilo que frequentemente esquecemos na vida contemporânea: a paz nasce quando reconhecemos que fazemos parte da paisagem e não quando tentamos nos colocar acima dela. Nesta obra, Nathan transforma a paisagem em abrigo espiritual. O horizonte amplo, as colinas suaves e o céu luminoso criam um cenário de serenidade que convida à pausa e à contemplação. Mais do que representar um lugar, o artista revela uma relação profunda de pertencimento com o território onde construiu sua identidade. As pequenas figuras espalhadas pelo campo — caminhando de mãos dadas, brincando ou simplesmente repousando — reforçam essa ideia de conexão. Diante da vastidão da paisagem, o ser humano aparece em escala reduzida, lembrando que a verdadeira grandeza não está no domínio da natureza, mas na capacidade de viver em harmonia com ela. O sol que ilumina a cena, o céu aberto, as nuvens em movimento, as colinas e a vegetação que oc...

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Assim como existem flores que escolhem o dia e outras aguardam a chegada da noite, em Flores Noturnas , Wirveng Nathan nos conduz a um espaço onde a escuridão não representa ausência, mas possibilidade. O fundo profundo que envolve a composição não sufoca as formas; torna-se o ambiente onde elas encontram condições para existir e florescer. A natureza sempre encontra um caminho e algumas espécies parecem compreender esse segredo. O mandacaru, a dama-da-noite e a flor-da-lua revelam sua plenitude quando a luz diminui. A noite, que poderia sugerir recolhimento, transforma-se em território de encontro. Morcegos, mariposas e outros seres noturnos participam silenciosamente desse ciclo, renovando a vida e estabelecendo relações invisíveis aos olhos apressados. Talvez seja essa a delicada força que atravessa a pintura. As flores surgem como presenças que não disputam espaço com a escuridão. Habitam-na e encontram nela sua própria forma de permanência. Na tela, nada é definitivo para o olhar...