Até certo ponto de sua produção, Wirveng Natham construiu uma trajetória marcada pela representação da presença. Seus personagens e paisagens afirmam identidades e revelam vínculos com a cultura e a natureza. Em A Taça , entretanto, o jovem e emergente artista realiza um movimento silencioso, porém decisivo: substitui a presença pela ausência como elemento estruturador da obra. A mudança é perceptível desde a composição. Sobre um fundo negro absoluto, poucos traços são suficientes para delinear uma taça quase transparente. Não há referências que conduzam o olhar. Tudo o que permanece é um objeto reduzido à sua essência, envolvido por um vazio que deixa de ser simples espaço negativo para assumir protagonismo. A pintura passa a existir menos pelo que mostra do que pelo que deliberadamente escolhe não mostrar. Essa inversão é reforçada pela reflexão proposta pelo próprio artista. Em vez de recorrer ao conhecido dilema entre o recipiente "meio cheio" e "meio vazio", ...
Maria é uma digna representante do estilo figurativo que notabilizou o Artista Fabio Ramos e trouxe o reconhecimento para a sua Arte. “As Beatas”, esculpidas com um esmero divergente da proposta de intervenção mínima, tornaram-se quase um sobrenome do Artista. No entanto, Maria representa mais: representa a religiosidade do sertanejo, a força, a resiliência, a fé e a esperança “de uma gente que ri quando deve chorar”. Maria é um retrato, acima de tudo de uma mulher. Por abstração, no momento de sua contemplação e batismo, um retrato da mulher negra brasileira.
Já definiram que “Arte é quando você coloca um pedaço da sua alma no mundo e alguém se reconhece nela”. Maria é um desses casos. Na madeira refinadamente polida, o “pedaço de alma” se revela através de uma fresta: uma marca no rosto que a distingue de todas e a torna representante de todas e, porque não dizer, de todos: Maria me representa. Representa a “gente que ri quando deve chorar”.
É, exatamente, esta marca no rosto, “no corpo”, que a faz, na minha memória, representante dos versos de Fernando Brant e Milton Nascimento:
“Mas é preciso ter força,
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria.”
E, modéstia às favas, também me faz lembrar dos meus próprios versos, proferidos pelo arquétipo Tonny Aguiar:
“Maria
De todas as cores,
De todos os signos,
De tantos fervores
E anúncios benignos.
Fruto de tantos desejos,
Despertados em lampejos,
Na plena escuridão.
Maria
De tantos nomes e ofícios,
De tantos sacrifícios,
De José e de João:
Pena que me chamo
Antonio (sem acento)”.
Maria: escultura (70x22x20), em madeira de Umburana, do Artista Fábio Ramos, do Vale do Catimbau.
Vital Sousa
Tonny Galeria



Certificado de Autenticidade: TG202512040006PU da Tonny Galeria.
