Não deixei o Dia Nacional do Escritor passar em branco... Talvez apenas o tenha deixado passar em preto e branco. Afinal, a folha de photobooth que acompanha esta publicação não é um exercício de vaidade, tampouco uma tentativa de provar que um escritor pode fazer dezesseis caretas diferentes diante de uma câmera. É, antes de tudo, uma pequena confissão. Ontem, 25 de julho, celebramos o Dia Nacional do Escritor . Hoje, resolvi comemorar a data mostrando um pouco daquilo que raramente aparece nas fotografias de divulgação de um livro: a estranha multidão que habita um único autor. Durante muito tempo me perguntaram por que assino obras com nomes diferentes. Alguns imaginam estratégia de mercado; outros, mero capricho estético. A verdade é menos simples e muito mais divertida. Vital Sousa é quem organiza o pensamento, estrutura projetos, pesquisa, estuda e procura dar coerência às ideias. Tonny Aguiar prefere a narrativa, as crônicas, o romance, os personagens que caminham entre o abs...
Maria é uma digna representante do estilo figurativo que notabilizou o Artista Fabio Ramos e trouxe o reconhecimento para a sua Arte. “As Beatas”, esculpidas com um esmero divergente da proposta de intervenção mínima, tornaram-se quase um sobrenome do Artista. No entanto, Maria representa mais: representa a religiosidade do sertanejo, a força, a resiliência, a fé e a esperança “de uma gente que ri quando deve chorar”. Maria é um retrato, acima de tudo de uma mulher. Por abstração, no momento de sua contemplação e batismo, um retrato da mulher negra brasileira.
Já definiram que “Arte é quando você coloca um pedaço da sua alma no mundo e alguém se reconhece nela”. Maria é um desses casos. Na madeira refinadamente polida, o “pedaço de alma” se revela através de uma fresta: uma marca no rosto que a distingue de todas e a torna representante de todas e, porque não dizer, de todos: Maria me representa. Representa a “gente que ri quando deve chorar”.
É, exatamente, esta marca no rosto, “no corpo”, que a faz, na minha memória, representante dos versos de Fernando Brant e Milton Nascimento:
“Mas é preciso ter força,
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria.”
E, modéstia às favas, também me faz lembrar dos meus próprios versos, proferidos pelo arquétipo Tonny Aguiar:
“Maria
De todas as cores,
De todos os signos,
De tantos fervores
E anúncios benignos.
Fruto de tantos desejos,
Despertados em lampejos,
Na plena escuridão.
Maria
De tantos nomes e ofícios,
De tantos sacrifícios,
De José e de João:
Pena que me chamo
Antonio (sem acento)”.
Maria: escultura (70x22x20), em madeira de Umburana, do Artista Fábio Ramos, do Vale do Catimbau.
Vital Sousa
Tonny Galeria



Certificado de Autenticidade: TG202512040006PU da Tonny Galeria.
