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Novidade

A Taça - Uma Reflexão

Até certo ponto de sua produção, Wirveng Natham construiu uma trajetória marcada pela representação da presença. Seus personagens e paisagens afirmam identidades e revelam vínculos com a cultura e a natureza. Em A Taça , entretanto, o jovem e emergente artista realiza um movimento silencioso, porém decisivo: substitui a presença pela ausência como elemento estruturador da obra. A mudança é perceptível desde a composição. Sobre um fundo negro absoluto, poucos traços são suficientes para delinear uma taça quase transparente. Não há referências que conduzam o olhar. Tudo o que permanece é um objeto reduzido à sua essência, envolvido por um vazio que deixa de ser simples espaço negativo para assumir protagonismo. A pintura passa a existir menos pelo que mostra do que pelo que deliberadamente escolhe não mostrar. Essa inversão é reforçada pela reflexão proposta pelo próprio artista. Em vez de recorrer ao conhecido dilema entre o recipiente "meio cheio" e "meio vazio", ...

Palloma Santos – Querida Eu


Como diz o Vinicius de Moraes no seu “Samba da Benção, “a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”. Deveras, Poetinha! Eu do meu lado tenho dito que na “Vida de Escritor”, Literária, Real ou Inventada vivemos de encontros para lembrar que ainda sou, és, serei, serás, seremos convergências da nossa vontade.

Num desses encontros, no meio do caminho para tornar-me escritor em tempo integral, conheci Palloma Santos. Antes de falar sobre ela, razão desta crônica, quero reforçar o momento do encontro porque é a confluência de duas trajetórias, de dois escritores que tomaram a decisão de tornar a escrita os seus propósitos de vida. Evito a expressão “escritor profissional”, usando a expressão “escritor em tempo integral”, porque compreendo que escrever é muito, mais do que profissão: é propósito, é missão, é processo, é terapia, é cura.

No caminho dos preparativos para experienciar a trajetória de um personagem enquanto preparava o lançamento de mais um livro, conheci a Palloma, num templo da Literatura: uma Biblioteca. Claro que nessas condições, uma instigante conversa, entre a Poetisa Buiquense e um contador de histórias, sobre escrita, edição de livros e outros projetos e oportunidades para construir o prazer da leitura no público alvo dos 8 aos 80 anos, seria inevitável. Assim traçamos, com o encontro, mais um marco de afirmação em nossas carreiras com muitas histórias passadas, presentes e futuras... Caminhamos!

Palloma Santos escreve desde os doze anos, quando a palavra ainda era um brinquedo secreto e silencioso — e não a missão, o propósito que hoje a nomeia. Durante duas décadas, esse gesto íntimo permaneceu adormecido, até que um diagnóstico de depressão trouxe à superfície um grito abafado. Foi a escrita, novamente, que se apresentou como escuta. Como quem reencontra um espelho esquecido no sótão da infância, ela reconheceu naquela menina de vinte anos atrás a semente de algo essencial.

Com coragem e determinação, lançou seu primeiro livro — Meus girassóis, amor e cicatrizes. Um passo no escuro, sim, mas carregado da luz de quem escreve mesmo sem saber o caminho. A autopublicação libertou não apenas palavras, mas também um fluxo represado por anos.

Na sequência, veio Preto no Branco – Amor e Saudade, onde emoções densas ganharam corpo e forma, compartilhadas como cartas lançadas ao mar. Mas ainda havia fome. Não mais de dizer o que sente — mas de sentir enquanto escreve, sem a mediação da norma ou da expectativa. A escrita como respiração. Como existência. Como resistência.

Essa entrega plena se materializa agora em seu terceiro livro: Querida Eu. Um título, um chamado. Um espelho. Um ponto de inflexão que evoca a célebre Metáfora do Espelho de Jacques Lacan, onde o sujeito se reconhece na imagem, mas também se estranha, porque todo reconhecimento é uma forma de invenção.

Assim, Querida Eu marca o momento em que Palloma Santos se vê — inteira, fragmentada, múltipla — e oferece ao leitor esse reflexo vivo, pulsante. Porque escrever, para ela, é criar um mundo onde a alma pode habitar com liberdade e, talvez, encontrar eco na alma do outro.

O lançamento deste livro não poderia acontecer em outro lugar senão no coração dos afetos literários: uma biblioteca, entre parentes, amigos, admiradores e leitores. Todos aqueles que, de alguma forma, fizeram ou farão parte dessa jornada. Este é um rito de passagem, um marco, um abraço coletivo em forma de palavras.


Vital Sousa
Quatro Editora


Serviço
Data: 30 de Abril de 2025
Hora: 18 hs
Local: Biblioteca Graciliano Ramos
Av. Jonas Camelo de Almeida, 250, Buíque, PE.