Até certo ponto de sua produção, Wirveng Natham construiu uma trajetória marcada pela representação da presença. Seus personagens e paisagens afirmam identidades e revelam vínculos com a cultura e a natureza. Em A Taça , entretanto, o jovem e emergente artista realiza um movimento silencioso, porém decisivo: substitui a presença pela ausência como elemento estruturador da obra. A mudança é perceptível desde a composição. Sobre um fundo negro absoluto, poucos traços são suficientes para delinear uma taça quase transparente. Não há referências que conduzam o olhar. Tudo o que permanece é um objeto reduzido à sua essência, envolvido por um vazio que deixa de ser simples espaço negativo para assumir protagonismo. A pintura passa a existir menos pelo que mostra do que pelo que deliberadamente escolhe não mostrar. Essa inversão é reforçada pela reflexão proposta pelo próprio artista. Em vez de recorrer ao conhecido dilema entre o recipiente "meio cheio" e "meio vazio", ...
Natural de Itaiba (PE), desde cedo demonstrou a inquietação e a criatividade de uma artista de múltiplas linguagens. O trabalho no campo não seria, naturalmente, a sua profissão definitiva.
Migrando para o Vale do Catimbau, descobriu-se Escultora talentosa na tradução da matéria prima, para transformá-la em obras de arte e transcender sua própria evolução como Mulher, Mãe, Empreendedora e Artista, colecionando vitórias: a primeira a assinar uma Escultura no Vale do Catimbau, a primeira a realizar uma Exposição Solo e, coroando sua trajetória de protagonismo no mundo das Artes, abrindo caminho para os demais Artistas da Região, a primeira a ganhar um Prêmio (Feneart 2015) no Salão de Artes Ana Holanda.
Sem sombra de dúvidas, “Um exemplo da força, que se quer, representado em cada mulher”, como diz o trecho de um poema, composto em sua homenagem, do Escritor e Poeta Tonny Aguiar, que faz parte do Livro "ventos do Catimbau".
Para não deixar a homenagem incompleta, transcrevemos, abaixo, a íntegra do poema.
Esse tributo, querida gente,
Não é uma coisa de momento;
É oportunidade, somente,
Que se soma ao conhecimento;
Para as mulheres potentes,
É puro reconhecimento:
Um exemplo da força que se quer,
Representada em cada mulher.
- Tonny Aguiar
É desse contexto biográfico que se revelam as obras de arte de Simone Souza. Em grande parte, esculpidas em umburana, madeira símbolo da Caatinga, representam a fauna, a flora e o Cotidiano de uma gente que aprende a ser forte, antes mesmo de ter forças para lutar.
Sua temática, geralmente representada por figuras femininas, floresce numa autobiografia tridimensional traduzida na parceria da Artista com a Natureza, onde a madeira morta, tal como Fênix, renasce em forma de Obras de Arte.
Vital Sousa
Tonny Galeria
