Até certo ponto de sua produção, Wirveng Natham construiu uma trajetória marcada pela representação da presença. Seus personagens e paisagens afirmam identidades e revelam vínculos com a cultura e a natureza. Em A Taça , entretanto, o jovem e emergente artista realiza um movimento silencioso, porém decisivo: substitui a presença pela ausência como elemento estruturador da obra. A mudança é perceptível desde a composição. Sobre um fundo negro absoluto, poucos traços são suficientes para delinear uma taça quase transparente. Não há referências que conduzam o olhar. Tudo o que permanece é um objeto reduzido à sua essência, envolvido por um vazio que deixa de ser simples espaço negativo para assumir protagonismo. A pintura passa a existir menos pelo que mostra do que pelo que deliberadamente escolhe não mostrar. Essa inversão é reforçada pela reflexão proposta pelo próprio artista. Em vez de recorrer ao conhecido dilema entre o recipiente "meio cheio" e "meio vazio", ...
“Ao sobrevir das chuvas, a terra, como vimos, transfigura-se em mutações fantásticas, contrastando com a desolação anterior.” O Sertão é pura contradição e é aqui neste pedaço de chão dicotômico que Salvador Dali justifica sua célebre frase: “tudo que é contraditório gera vida.” É neste ambiente que prolifera uma força imensurável: o Sertanejo.
“O sertanejo é, antes de tudo, um forte.” O Sertanejo é o próprio Sertão, “Ser’tão Forte”: em todas as suas relações e expressões. Da convivência com o Semi Árido às suas manifestações culturais construídas com carne, sangue, suor e areia correndo em suas veias.
“A caatinga mirrada e nua, apareceu repentinamente desabrochando numa florescência extravagantemente colorida no vermelho forte das divisas, no azul desmaiado dos dólmãs e nos brilhos vivos das chapas dos talins e estribos oscilantes.” É nesse contexto sertanejo que a descrição de despojos de batalha explode na mente com a natural beleza de uma pintura Neorrealista de Portinari, assim como a transformação e a rusticidade de uma florada de Mandacaru.
Este é o berço do Programa “Ser’tão Forte” com o objetivo de promover o Reconhecimento para a caleidoscópica Arte Sertaneja expressada em Literatura (minha Arte) Escultura, Pintura, Gravura e Fotografia que serão, tempestivamente, objeto de Projetos Culturais focados no Desenvolvimento Sustentável do Semi Árido.
Tonny Aguiar
PS. Os trechos entre aspas que encabeçam os parágrafos são excertos do Livro “Os Sertões” de Euclides da Cunha.
