Não deixei o Dia Nacional do Escritor passar em branco... Talvez apenas o tenha deixado passar em preto e branco. Afinal, a folha de photobooth que acompanha esta publicação não é um exercício de vaidade, tampouco uma tentativa de provar que um escritor pode fazer dezesseis caretas diferentes diante de uma câmera. É, antes de tudo, uma pequena confissão. Ontem, 25 de julho, celebramos o Dia Nacional do Escritor . Hoje, resolvi comemorar a data mostrando um pouco daquilo que raramente aparece nas fotografias de divulgação de um livro: a estranha multidão que habita um único autor. Durante muito tempo me perguntaram por que assino obras com nomes diferentes. Alguns imaginam estratégia de mercado; outros, mero capricho estético. A verdade é menos simples e muito mais divertida. Vital Sousa é quem organiza o pensamento, estrutura projetos, pesquisa, estuda e procura dar coerência às ideias. Tonny Aguiar prefere a narrativa, as crônicas, o romance, os personagens que caminham entre o abs...
“Ao sobrevir das chuvas, a terra, como vimos, transfigura-se em mutações fantásticas, contrastando com a desolação anterior.” O Sertão é pura contradição e é aqui neste pedaço de chão dicotômico que Salvador Dali justifica sua célebre frase: “tudo que é contraditório gera vida.” É neste ambiente que prolifera uma força imensurável: o Sertanejo.
“O sertanejo é, antes de tudo, um forte.” O Sertanejo é o próprio Sertão, “Ser’tão Forte”: em todas as suas relações e expressões. Da convivência com o Semi Árido às suas manifestações culturais construídas com carne, sangue, suor e areia correndo em suas veias.
“A caatinga mirrada e nua, apareceu repentinamente desabrochando numa florescência extravagantemente colorida no vermelho forte das divisas, no azul desmaiado dos dólmãs e nos brilhos vivos das chapas dos talins e estribos oscilantes.” É nesse contexto sertanejo que a descrição de despojos de batalha explode na mente com a natural beleza de uma pintura Neorrealista de Portinari, assim como a transformação e a rusticidade de uma florada de Mandacaru.
Este é o berço do Programa “Ser’tão Forte” com o objetivo de promover o Reconhecimento para a caleidoscópica Arte Sertaneja expressada em Literatura (minha Arte) Escultura, Pintura, Gravura e Fotografia que serão, tempestivamente, objeto de Projetos Culturais focados no Desenvolvimento Sustentável do Semi Árido.
Tonny Aguiar
PS. Os trechos entre aspas que encabeçam os parágrafos são excertos do Livro “Os Sertões” de Euclides da Cunha.
