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Novidade

A Taça - Uma Reflexão

Até certo ponto de sua produção, Wirveng Natham construiu uma trajetória marcada pela representação da presença. Seus personagens e paisagens afirmam identidades e revelam vínculos com a cultura e a natureza. Em A Taça , entretanto, o jovem e emergente artista realiza um movimento silencioso, porém decisivo: substitui a presença pela ausência como elemento estruturador da obra. A mudança é perceptível desde a composição. Sobre um fundo negro absoluto, poucos traços são suficientes para delinear uma taça quase transparente. Não há referências que conduzam o olhar. Tudo o que permanece é um objeto reduzido à sua essência, envolvido por um vazio que deixa de ser simples espaço negativo para assumir protagonismo. A pintura passa a existir menos pelo que mostra do que pelo que deliberadamente escolhe não mostrar. Essa inversão é reforçada pela reflexão proposta pelo próprio artista. Em vez de recorrer ao conhecido dilema entre o recipiente "meio cheio" e "meio vazio", ...

Todas as palavras que nunca falei


Costumo dizer que uma Critica Literária é uma Revisão Textual Póstuma ou um Prólogo de Segunda Edição. Entre os dois extremos da avaliação de uma obra, a necessária experiência e o conhecimento de causa do que é ser um Escritor iniciante, na selva de pedra do Mercado Literário. Costumo dizer, também, que quando não há nada de bom a ser dito, o silêncio é a melhor resposta. Absolutamente, não é o caso desse Livro.

Em “Todas as palavras que nunca falei”, primeira de muitas obras de Samylla Paixão, da capa às orelhas, das orelhas ao miolo, este livro é um grito: silencioso, comportado, de alguém que está em plena transformação. Um diamante bruto que lapida enquanto é lapidado e propõe lapidar o leitor com cada palavra, que devorou suas versões passadas, numa metamorfose induzida pela maior força do universo: a vontade humana. Cada faceta deste diamante, trás à tona sua alma: do mero carvão à joia rara.

“Paixão” (providencial sobrenome) arregaça as mangas e enfrenta os seus medos com a doçura do seu olhar sobre todas as coisas, enquanto a pureza de menina dá lugar à afirmação da mulher Escritora. Na leitura, é possível acompanhar, traçar uma linha do tempo dessa (r)evolução que toma conta das suas palavras: não ditas nas longas noites de silêncio com os seus botões; mal ditas nas conversas com o seu reflexo do espelho e escritas, compreendo, muitas vezes entre lágrimas. É visível cada afeto lapidado em sentimento; cada vivência lapidada em conhecimento e cada dor lapidada em sabedoria. Rasgando o verbo, no melhor estilo de prosa poética, Samylla Paixão coroa-se Escritora com todas as palavras ditas, bem ditas e benditas no seu livro-catarse.

Do inicio ao fim, esperei ler uma palavra, aliás, uma expressão bastante comum nas mídias sociais: ho’oponopono. A antiga prática havaiana que evoca a paz interior, o amor, o perdão, a gratidão e a cura de mágoas ou outros sentimentos negativos pelos quais somos invadidos no nosso dia-a-dia.

Na leitura de “Todas as palavras que nunca falei”, a cada página, ecoam, em nossa memória, as quatro frases repetidas como um mantra: “sinto muito”, “me perdoe”, “eu te amo”, “sou grato”, com o objetivo de guiar o praticante através das quatro etapas sentimentais: arrependimento, perdão, amor e gratidão. Compreendo, em tese, que é isso que faz Samylla Paixão com todas as palavras, agora, registradas para a eternidade no papel.

Não por acaso, talvez “sem querer querendo”, “Todas as palavras que nunca falei” termina com uma sessão de agradecimentos e podemos concluir a leitura, fechar o livro e dizer as nossas próprias palavras que nunca dissemos, repetindo: “sinto muito”, “me perdoe”, “eu te amo”, “sou grato”.

Somos gratos pela leitura e pela oportunidade de contribuir com a (r)evolução de Samylla Paixão e esperamos os próximos livros para confirmar nossas palavras e o talento dessa jovem, mas já veterana, Escritora.

Para finalizar e para não perder a oportunidade, deixo as minhas próprias palavras, coerentes e convergentes com o tema, que a maturidade me permite, sempre, dizer: calar jamais...

O singelo avesso
Da pele que habito,
Tece, sem ter sido,
Um futuro de recomeços;
O presente dos iludidos
E o manto áspero das desilusões;

Tantos “Eus” sufocados
Pela ânsia de um amor eterno,
Tantos sonhos naufragados
Presos aos seus grilhões.

Só por ti, oh! Divindade,
No limiar da Teogonia,
Me visto de claridade,
Sufocando as lamentações;

Doce fruto das elegias,
Com todas as dores eu faço poesia. (e Samylla também)

       - Tonny Aguiar Feat Vital Sousa


[LISTA DE ESPERA - 3a. TIRAGEM]
 
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Vital Sousa
Quatro Editora / VTL Marketing & Gestão


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