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Novidade

A Taça - Uma Reflexão

Até certo ponto de sua produção, Wirveng Natham construiu uma trajetória marcada pela representação da presença. Seus personagens e paisagens afirmam identidades e revelam vínculos com a cultura e a natureza. Em A Taça , entretanto, o jovem e emergente artista realiza um movimento silencioso, porém decisivo: substitui a presença pela ausência como elemento estruturador da obra. A mudança é perceptível desde a composição. Sobre um fundo negro absoluto, poucos traços são suficientes para delinear uma taça quase transparente. Não há referências que conduzam o olhar. Tudo o que permanece é um objeto reduzido à sua essência, envolvido por um vazio que deixa de ser simples espaço negativo para assumir protagonismo. A pintura passa a existir menos pelo que mostra do que pelo que deliberadamente escolhe não mostrar. Essa inversão é reforçada pela reflexão proposta pelo próprio artista. Em vez de recorrer ao conhecido dilema entre o recipiente "meio cheio" e "meio vazio", ...

Empreendimento Sem Fim




"Alguns homens veem as coisas como são,
e dizem 'Por quê?' Eu sonho com as coisas
que nunca foram e digo 'Por que não ?'"


- Bernard Shaw



Tenho plena consciência de que tudo que passei e relato neste livro é uma ínfima porção da realidade da Transamazônica e da vida do seu povo, bem como uma ínfima parte do dia-a-dia dos meus companheiros de viagem: os Caminhoneiros.

A história da Transamazônica bem poderia ser um exemplar texto do realismo fantástico, digno de Gabriel Garcia Marquez. As Macondos se multiplicam às margens da BR - 230. As histórias e lendas sobre seus construtores e seus atuais habitantes são tão ricas que muitas delas mereceriam um livro à parte.

Conversando com o proprietário de um Posto de combustíveis, Ponto de Apoio de Caminhoneiros em Apuí (AM), consegui sintetizar toda a história da Transamazônica em uma única palavra: "absurdo". A BR 230, a famosa Transamazônica, é um absurdo. Pelas milhares de vidas perdidas em sua construção e nos quarenta anos de acidentes de percurso; pelos investimentos públicos jogados igarapés abaixo; pela falta de comprometimento dos sucessivos governos, em todos os níveis, que só lembram desta obra inacabada em tempos de eleição; pelas possibilidades de riquezas não exploradas; pela exploração irregular da floresta... A lista de absurdos é infinita: infinita como a construção deste Sonho Fantástico.

Na reta final do percurso, um pensamento não sai da minha cabeça: a expressão “empreendimento sem fim” tornou-se um incômodo “grilo”. Desde o inicio do mapeamento de nossa Planilha, a frase foi usada de forma negativa, para descrever algo interrompido, inacabado, mas com o tempo, começou a ganhar outra acepção. Passou a dar significado para o ciclo de vida, a linha do tempo de tudo que estávamos construindo. A ideia da criação do i2 - instituto integrum era por si só a ideia de um “empreendimento sem fim”.


Não por acaso a ilustração que encabeça cada capítulo deste livro é uma teia de aranha. De todos os símbolos relacionados com um Rally, que seria mais apropriado usar como ilustração, nenhum tem a “aderência” de uma teia de aranha que para mim representa a determinação necessária no empreendedorismo, além de ser, naturalmente, o símbolo de nosso objetivo maior: construir uma Rede Social, na acepção literal da expressão. O acaso, ou a conspiração do universo, se fez presente para definir a capa do livro, fechando o ciclo de fundamentação para o seu título e subtítulo: 50 Anos Em 05 – Empreendimento Sem Fim.

Quantas teias uma aranha tece durante sua vida? Quantas vezes ela reconstrói sua aparentemente frágil fonte de recursos e sustentabilidade? Não consigo imaginar respostas para estas perguntas, minha mente é imediatamente inundada pela lembrança de uma música da infância, bem apropriada para o momento que finalizo minha narrativa explicando as motivações para a escolha da ilustração que encabeça seus capítulos, bem como do para a escolha do título e da capa do livro...

“A dona aranha
Subiu pela parede
Veio a chuva forte
E a derrubou

Já passou a chuva
O sol já vai surgir
E a dona aranha
Continua a subir.”

Será que algum empreendedor, além de mim, identifica-se com a D. Aranha? Em especial com sua determinação e porque não dizer obstinação em subir pela parede? Eu sempre penso nessa aranha, a razão pela qual ela obstinadamente sobe pela parede. Lembro-me de 2 (dois) empreendedores que uso nas Palestras CHA Empreendedor: Soichiro Honda e Thomas Edson tão obstinados quanto D. Aranha. Minha conclusão é que o objetivo da aranha é colocar no alto da parede o primeiro nó de sua teia. Toda dificuldade da escalada para, apenas, começar sua tarefa: empreender.

Inicialmente a expressão “empreendimento sem fim” estava presente em toda discussão do Warm Up do Rally M+is – Transamazônica. Era a expressão favorita para descrever A Rota dos Atoleiros Amarelos. Sua ambiguidade deu o toque final para que eu pensasse nela como subtítulo e finalmente como título deste Diário de Bordo com pretensões de Manual de Empreendedorismo.

Quando descrevi no esboço do projeto a BR – 230, a famosa Transamazônica, usei esta expressão de forma negativa, afinal o que se espera da construção de uma estrada é que ela seja concluída, tenha fim, o que não aconteceu com a BR em questão. Por outro lado, “sem fim”, também, significa algo duradouro, sustentável, como espero que sejam os negócios de todos e cada um dos empreendedores para quem este livro puder, de alguma forma, tornar-se útil.

Espero que estes empreendedores e os simples leitores deste Diário sejam os nós para a teia, cuja construção iniciamos em 12-jan-2015, às 05:22.

Excertos. Sousa, Vital. Empreendimento Sem Fim. Recife, 2015


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Vital Sousa
Quatro Editora




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